De um total de 17 localidades pesquisadas pelo Dieese, 15 apresentaram alta nos preços
O pão francês pesou no bolso do consumidor brasileiro no mês de agosto e a cesta básica ficou mais cara em 15 das 17 capitais pesquisadas pelo Dieese (Departame
nto Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O preço do pãozinho ficou ainda mais salgado em Vitória (3,32%), João Pessoa (3,16%) e Natal (2,92%). Em relação a agosto de 2011, o alimento ficou mais caro em 16 capitais, com destaque para Vitória (17,11%), Natal (13,66%) e Manaus (10,93%). Segundo o Dieese, o aumento do pão francês pode estar relacionamento à alta do preço do trigo, e o custo acaba sendo repassado ao consumidor final. Os últimos meses têm sido marcados por fortes altas nos preços do trigo no mercado internacional, devido às secas e restrições de oferta nos principais países produtores.
O pacote de produtos essenciais só não ficou mais caro em Natal (RN), com queda de 1,64%, e em Belo Horizonte (MG), onde foi verificado recuo de 0,66% nos valores. Já as maiores altas foram verificadas em Florianópolis (10,92%), Curitiba (4,69%) e Rio de Janeiro (4,09%). Pelo segundo mês seguido, a cesta mais cara é a de Porto Alegre, a R$ R$ 308,27. São Paulo vem em seguida, onde o conjunto de produtos foi cotado a R$ 306,02, sucedido pelo Rio de Janeiro (R$ 302,52). Já os menores valores foram observados em Aracaju (R$ 212,99), Salvador (R$ 225,23) e João Pessoa (R$ 233,36). Vilões do bolso Outros vilões da cesta básica foram a farinha, o tomate e o açúcar. Tanto os preços da farinha de trigo quanto o da farinha de mandioca aumentaram em 16 capitais pesquisadas, com destaque para Florianópolis (6,37%), Recife (4,36%) e Vitória (4,21%). A única queda foi verificada em Brasília (-3,09%). O tomate, grande vilão do pacote de produtos essenciais em julho, manteve a trajetória de alta e o preço subiu em 15 das 17 capitais. Os recuos nos preços foram apurados em Natal (-10,13%) e João Pessoa (-1,20%). O açúcar, por outro lado, teve aumento de preço em 13 capitais. Responsável pelo maior peso na cesta, a carne bovina fechou agosto com alta em nove capitais. Salário mínimo necessário Em agosto, o brasileiro que ganha o salário mínimo (R$ 622) precisou de 95 horas e 3 minutos — quase quatro dias — para comprar a cesta básica do mês. O preço do pacote de alimentos e produtos básicos corresponde a 46,96% do salário líquido (descontada a Previdência) do trabalhador que ganha o mínimo. Já em julho, a cesta absorvia 45,85% do salário, ou seja, um valor inferior ao de agosto. Para estimar o valor ideal do salário mínimo, capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador, os técnicos do Dieese levam em consideração o maior custo para o conjunto de itens básicos — que em julho ocorreu em Porto Alegre (R$ 308,27). O Dieese considera também a premissa básica da Constituição de que o menor salário pago deve suprir as despesas de um trabalhador e a respectiva família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência. Para atender a essas necessidades, em julho, o salário mínimo deveria ser de R$ 2.589,78, o que corresponde a 4,05 vezes o mínimo em vigor (R$ 622). No mês anterior, o mínimo necessário chegava a R$ 2.519,97, (4,05 vezes o valor vigente), e em agosto de 2011, o piso nacional deveria atingir R$ 2.278,77, ou 4,18 vezes o mínimo da época (R$ 545). Confira os preços da cesta básica nas capitais: Florianópolis R$ 295,48 Curitiba R$ 280,57 Rio de Janeiro R$ 302,52 Brasília R$ 284,50 Salvador R$ 225,23 Porto Alegre R$ 308,27 Vitória R$ 298,60 Aracaju R$ 212,99 São Paulo R$ 306,02 Fortaleza R$ 245,75 Goiânia R$ 263,90 Recife R$ 240,79 Belém R$ 262,33 Manaus R$ 280,81 João Pessoa R$ 233,36 Belo Horizonte R$ 286,35 Natal R$ 241,14.
Fonte: R7 NOTÍCIAS Imagem: Ione Moreno