Inflação de alimentos deve seguir acelerada

A aceleração da inflação dos alimentos está apenas no começo, afirmou o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat. O impacto da estiagem sobre os preços deste grupo deve durar, pelo menos, até abril, segundo o especialista. “Os alimentos estão refletindo a aceleração percebida no atacado, já que a safra de alguns produtos está sendo prejudicada pela estiagem”, afirmou.

No resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de março, o grupo Alimentação e Bebidas acelerou de 0,52% para 1,11%. O índice geral registrou alta de 0,73%, em linha com o estimado pela corretora. Mas, segundo Combat, a projeção para o IPCA fechado do mês foi revisada de 0,77% para 0,79% após o resultado, tendo em vista as crescentes pressões sobre os alimentos.

Segundo Combat, a repercussão do clima deve ir além dos produtos in natura. Preços de soja e milho, que já vinham subindo, devem influenciar outros itens. “É provável que alguns alimentos reflitam isso um pouco mais à frente, como o preço da carne”, observou. “Estamos assistindo ao começo de uma inflação de alimentos mais alta. Ainda não é o topo”, acrescentou.

O problema, de acordo com o economista, é que a inflação em 12 meses saltou para 5,90% e deixa menos espaço para acomodar outras altas, como a de tarifas de energia elétrica. Além disso, caso a estiagem persista, ele não descarta que o teto da meta (que é de 6,5%) seja rompido em meados do ano.

“Vemos muitas fontes de pressão em um momento em que o BC desacelerou o ritmo de alta da Selic. A previsão dele não se confirmou. E isso deixa uma preocupação”, ressaltou. Para Combat, reduzir o ritmo de ajuste de 0,50 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi um erro, mas ele considera pouco provável que o BC volte atrás e acelere o passo no aumento de juros.

“Acredito que ele vá estender o ciclo”, disse Combat, que projeta Selic a 11,5% no fim de 2014, embora ele acredite que a autoridade monetária deveria chegar aos 12% “o quanto antes”. “O aumento não é mais econômico, mas sim preponderantemente político”, disse.

Para este ano, Combat projeta inflação de 6,1% (estimativa revisada na última quarta-feira, de 5,9%). As passagens aéreas, que foram destaque no IPCA-15 de março, devem continuar no topo das influências positivas até o meio do ano, segundo o economista. “Daqui para frente, será um item intermitente de pressão inflacionária. Pode ser que as companhias aproveitem o crescimento abrupto da demanda para fazer repasses (de custo)”, disse.

Fonte: A Tarde – BA

Alimentos limitam alta do IPC-S na 2ª quadrissemana

A queda dos alimentos continua dando alívio à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), apesar de o dado ter retornado ao campo positivo na segunda quadrissemana deste mês (período de 16 de julho a 15 de agosto). É o que mostra a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Das cinco maiores influências negativas registradas no âmbito do IPC-S entre a primeira e a segunda leitura do mês, quatro são produtos alimentícios. A exceção foi o item tarifa de ônibus urbano, que saiu de declínio de 1,89% para recuo 0,81% na segunda medição do mês, cujos efeitos da revogação do reajuste dos preços das tarifas estão diminuindo. O IPC-S, por sua vez, subiu 0,05% ante declínio de 0,02% na primeira quadrissemana de agosto.

A maior variação foi apurada no preço do tomate, que saiu de deflação de 36,54% na primeira leitura deste mês para 25,24%. A segunda maior influência de baixa foi apurada no preço da batata-inglesa, que caiu 8,68% na segunda leitura, depois de variação negativa de 6,17%. A banana-prata também ficou ainda mais barata, ao passar de -5,46% para -6,16%.

Já o leite longa, apesar da desaceleração entre a primeira e a segunda leitura do mês (de 6,43% para 6,06%), continuou pressionando o grupo Alimentação, que no período passou de -0,11% para -0,08%. Além disso, os gastos dos consumidores com alimentação fora do domicílio ficaram mais elevados na segunda quadrissemana de agosto em 0,47%, de 0,36% na primeira. Outro produto que ficou mais caro foi a cerveja, com alta de 4,14% na primeira quadrissemana de agosto e de 4,33% na segunda. Ainda integram a lista de maiores altas no IPC-S da segunda quadrissemana do mês os itens aluguel residencial (de 0,61% para 0,58%) e plano e seguro de saúde (de 0,64% para 0,65%).

FONTE: A Tarde – BA

Preços ao consumidor em São Paulo caíram 0,13% no mês de julho

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação da cidade de São Paulo, registrou queda de 0,13% em julho. Já em junho, o IPC havia apresentado uma alta de 0,32%. O resultado foi apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Na comparação com a terceira quadrissemana de julho, o IPC teve uma queda menor, pois o índice apresentou recuo de 0,16% naquela leitura.

A taxa negativa do mês de julho marcou a primeira queda mensal no índice desde março de 2013, quando o IPC caiu 0,17%. Habitação e Educação se mantiveram em território positivo na comparação entre o fechamento de julho, a terceira quadrissemana do mês e a leitura de junho. Habitação avançou 0,4% no fechamento de julho, ante altas de 0,45% na terceira quadrissemana de julho e 0,33% no mês de junho. Educação fechou o mês de julho em alta de 0,06%, após avanço de 0,07% na terceira leitura do mês e ganho de 0,01% em junho.

Despesas Pessoais teve alta de 0,45% no fechamento de julho, após avançar 0,34% na terceira quadrissemana e 0,31% em junho. Saúde seguiu o mesmo caminho e acelerou a alta na comparação entre as três leituras: o grupo avançou 0,33% em junho, após ganhos de 0,26% na terceira quadrissemana do mês e 0,19% em junho.

Já alimentação caiu 0,40% no fechamento de julho, ante quedas de 0,62% na terceira quadrissemana de julho e 0,05% em junho. Transportes recuou 1,30% em julho, após queda de 1,21% na terceira leitura de julho e avanço de 0,92% em junho. Vestuário teve queda de 0,26% em julho, ante uma taxa negativa de 0,2% na terceira quadrissemana e uma taxa positiva de 0,23% em junho.

A alta do dólar pode estar começando a afetar os preços de alguns eletroeletrônicos que utilizam componentes importados. Dados da Fipe mostram que o valor do televisor em São Paulo, por exemplo, subiu 2,2% em julho. O item tinha registrado queda no fim de junho, de 0,15%. Depois disso, passou a subir. Na primeira leitura de julho subiu 1,19%; na segunda, 1,06%; e na terceira, 1,85%.

O dólar sobe há três meses consecutivos. Só em julho, a moeda norte-americana acumulou ganho de 2,11% e começou agosto em alta. No primeiro dia do mês, ultrapassou a marca de R$ 2,3 pela primeira vez desde março de 2009.

Apesar de ponderar que é difícil mensurar os efeitos do câmbio nos produtos, o economista e coordenador do IPC, Rafael Costa Lima, acredita que isto já pode estar acontecendo porque o setor de eletroeletrônicos importa vários componentes. Segundo ele, os sinais da depreciação cambial tendem a ficar mais evidentes nas próximas leituras do IPC.

FONTE: DCI

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Preço do pão varia mais que 115% em SP

Quilo do pãozinho francês custa de R$ 5,99 a R$ 12,90 em pesquisa feita em padarias das cinco regiões da cidade

Na inflação medida pelo IPCA, produto ficou 4,7 % mais caro desde janeiro; alta no preço do trigo é uma das causas

A massa é basicamente a mesma: farinha, água e sal.

O modo de preparo é o básico e o produto é vendido sem embalagens ou refinamentos que pudessem justificar sobretaxa “premium”.

Mas o preço do quilo do pão francês na cidade de São Paulo varia mais de 115% dependendo da padaria escolhida pelo freguês. Se comprar no Alto da Lapa (zona oeste), gastará o dobro do que no Jardim Amália (zona sul).

Nos dois bairros foram encontrados os extremos mínimo e máximo de uma pesquisa realizada pelo “Agora”, por telefone, com 40 padarias das cinco regiões da cidade.

A loja que oferece o pão mais barato, do Jardim Amália, vende o produto por R$ 5,99 o quilo. Já a padaria do Alto da Lapa, onde foi encontrado o pãozinho mais caro, cobra R$ 12,90 o quilo.

Embora o menor preço tenha sido encontrado na zona sul, é a zona leste que apresenta, na média, o preço mais em conta: R$ 8,70 o quilo.

Já o centro da capital paulista tem o pãozinho mais caro, com média de R$ 10,82 por quilo. Na região central, a variação também é a menor da cidade: 32% entre o quilo mais barato (R$ 9) e o mais caro (R$ 11,90).

Na zona sul, o preço médio do pãozinho é 50% maior que o da padaria mais barateira. Na média, as padarias cobram R$ 9,09. É nessa região da cidade que está a maior diversidade de preços do pãozinho. O mais caro custa R$ 11,80 o quilo, praticamente o dobro do mais barato.

A zona oeste é a vice-campeã de preços altos, com valor médio de R$ 10,37, e, na zona norte, o quilo do pão francês sai por, em média, R$ 9,70 (veja quadro).

Segundo a inflação medida pelo IPCA, o pão teve alta de 0,8% em abril e aumento de 4,7% em 2013.

Um dos fatores que mais influenciam esse mercado, segundo o pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Lucilio Alves, é que o país importa metade do trigo usado.

No último ano, a queda no estoque internacional aumentou o preço da matéria-prima. A consequência é que o preço do pão subiu.

Para tentar segurar os preços nas padarias, o governo isentou a TEC (Tarifa Externa Comum) de 10% nas importações. No Brasil, os produtores de trigo encontraram melhor oportunidade na exportação do produto, o que também reduziu a oferta nacional.

A expectativa é que a oferta melhore a partir de setembro, quando começa a colheita do produto no país.

MOTIVOS

A reportagem tentou ouvir as padarias com os maiores valores encontrados por região. A Padaria Estado Luso, por exemplo, que fica em Santana, informou que trabalha com preços similares aos da região e que seus pães são assados em forno à lenha.

A Boulevard de Ville, na Vila Formosa, a Trigueira Pães e Doces, no Campo Belo, e a Estalagem, no Limão, disseram que usam trigo de alta qualidade e, por isso, têm custo mais alto. Outras seis padarias contatadas não responderam à reportagem.

Fonte: Folha de S.Paulo

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Farinha ficou 140% mais cara

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pa), nos últimos 12 meses, mostrou que a farinha teve reajuste recorde de 139,68%. Para comparação, a inflação do mesmo período ficou em 7,16%. A pesquisa apontou mais uma vez que o produto foi responsável pela alta na cesta básica do paraense, que teve um reajuste de 5,25%.

O órgão informou que o aumento no preço da farinha de mandioca em Belém e em todo o Estado do Pará vem oscilando ao longo do tempo, apresentando variação nos últimos doze meses (entre maio de 2012 a abril de 2013). De acordo com o estudo, no mês de abril de 2012, o quilo da farinha era comercializado, em média, na Grande Belém, a R$ 3,15. No final do ano (dezembro/2012), o quilo estava sendo vendido a R$ 5,56. Em janeiro de 2013, o acréscimo já era considerado significativo, sendo comercializado a R$ 6,06, e, em fevereiro, o preço chegou a R$ 6,83. No mês de março, o quilo estava a R$ 7,41 e, em abril, a R$ 7,55. A pesquisa foi realizada em grandes supermercados e feiras da capital paraense.

De acordo com a pesquisa, o reajuste entre abril e a março de 2013 foi de 1,89%. Ao analisar os quatros primeiros meses (janeiro a abril), a variação apresentada é de 35,79% contra a inflação desse período, 2,66%, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) realizado pelo IBGE.

A explicação para números tão elevados no preço do quilo da farinha se deve a questões vinculadas a produção, sazonalidade e comercialização, segundo o departamento. Como a farinha produzida no Pará é feita, em sua grande maioria, de forma artesanal e familiar, o produtor não participa de todo o processo da cadeia produtiva do produto. Até chegar ao consumidor, o preço da farinha sofre especulações resultando em aumentos exorbitantes, também por causa de atravessadores.

O promotor de justiça José Maria Farias, de 60 anos, encontrou uma maneira mais barata de ter o produto na mesa. “Eu compro direito com quem produz. Como vou à cidade de São Miguel do Guamá, compro 15 Kg a R$ 80,00”, afirma. Aos que não têm essa opção, a alternativa é remediar. “Se tiver outro aumento, o jeito é diminuir na quantidade. Se eu comprava três litros na feira, vou ter que comprar dois”, calcula a dona de casa Marlene Couto, 70 anos.

Agora, se o paraense que mora no estado já está sofrendo com o preço ditatorial da farinha, imagine quem mora fora. O filho de Rosana Cunha, 49 anos, merendeira, mora na Bahia. “Meu filho sempre me pede pra mandar farinha, ele mora na Bahia deste outubro do ano passado, mas na última vez foram somente três litros de farinha, que custou R$ 18,00” diz.

A previsão do Dieese para o preço da farinha não é das melhores. Em um pré-estudo realizado no mês de maio até quarta-feira (23), foram encontrados em vários locais da capital paraense o quilo sendo comercializado a R$ 8,50. O Pará é considerado o maior produtor no país. No entanto, conforme o órgão, o preço hoje é um dos maiores praticados desde a pesquisa da cesta básica realizada no início da década de 80.

FONTE: Diário do Pará

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Preço dos alimentos tem primeira queda em São Paulo desde março de 2012

Dados da Fipe mostram que alimentos tiveram deflação de 0,14%, o que deve ajudar a reduzir a inflação – que segue pressionada por itens como gastos com saúde e vestuário

O preço dos alimentos em São Paulo teve a primeira deflação desde março do ano passado. Segundo os números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os alimentos tiveram queda de 0,14% na segunda quadrissemana de maio, o que surpreendeu os economistas do instituto. Os serviços, no entanto, continuam a pressionar o índice – os preços do grupo Saúde, por exemplo, tiveram alta de 1,71% no período.

“A queda dos alimentos in natura foi uma surpresa”, disse o coordenador do indicador da Fipe, Rafael Costa Lima. “Tínhamos perspectiva de que a deflação de alimentos viria em algum momento, mas, aparentemente, já chegou e veio com força.”

Os alimentos foram considerados nos últimos meses os vilões da alta da inflação, que em março ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5% ao ano – nesse caso, o indicador oficial é o IPCA, medido pelo IBGE. Mas o governo e o próprio BC insistiam que a elevação de preços era um problema sazonal.

Na quinta-feira, um outro índice de inflação, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), da Fundação Getúlio Vargas, também havia detectado o recuo dos preços dos alimentos. Dentro do índice, os alimentos in natura apresentaram deflação – o preço do tomate, por exemplo, apresentou recuo de 14,7%. Mas, segundo a FGV, esse é um movimento que pode ter fôlego curto.

“A desaceleração da alimentação está muito concentrada nos produtos in natura. Entre os derivados de matérias-primas agropecuárias, a influência é menor. Não é uma desaceleração generalizada. Talvez continue por mais um tempo, mas não tem fôlego para ir muito longe”, disse Salomão Quadros, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O Banco Central, porém, continua confiante na queda dos preços dos alimentos para que a inflação não dispare. “A inflação já está caindo no atacado. Nos próximos três meses, teremos inflação mais baixa no nível do consumidor. Em maio, junho e julho, veremos a inflação mais baixa, refletindo inclusive a queda nos preços de alimentos”, disse nesta semana o presidente do BC, Alexandre Tombini.

Revisão. A queda inesperada no conjunto de preços do grupo Alimentação na segunda quadrissemana de maio levou a Fipe a mudar sua projeção para o dado fechado do mês. A expectativa atual de Costa Lima é de que o IPC encerre maio com uma alta de 0,28%, e não mais em 0,33%.

O grupo Alimentação, por sua vez, após a retração de 0,14% na segunda medição, deverá, segundo o economista, terminar com 0,07%, ante uma estimativa anterior de 0,27%. A expectativa de Costa Lima era de que o grupo ainda apresentasse uma taxa positiva para a segunda quadrissemana, de 0,04%.

“Os produtos in natura podem continuar em queda, mas os industrializados podem não cair tanto. Com isso, prevemos um IPC de 0,28% no final do mês”, disse o economista, que manteve sua projeção de inflação de 5,00% no fechamento de 2013.

Na avaliação dele, o grupo Saúde deverá permanecer pressionando a inflação dos paulistanos até o final do mês, em razão do impacto do reajuste recente nos preços dos medicamentos. “Tem ainda Vestuário, que está subindo mais do que o esperado”, admitiu, acrescentando que prevê taxas de 1,14% para a Saúde e de 0,59% para o grupo Vestuário.

FONTE: O Estado de S.Paulo

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Inflação e endividamento vão reduzir participação da classe B no consumo

Além de perder participação no total de compras, a classe B será praticamente o único estrato social que terá expansão de gastos com compras abaixo da média da população

Inflação em alta e endividamento elevado vão tirar neste ano o fôlego das compras da classe B, o estrato social mais importante no consumo das famílias do País. A participação de domicílios com renda média mensal entre R$ 3,7 mil e R$ 7,4 mil no bolo total dos gastos com produtos e serviços de R$ 2,8 trilhões projetado para este ano deve ser de 48,5%, aponta estudo da IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 2012, essa fatia havia sido de 50%.

Além de perder participação no total de compras nos 5 mil municípios do País, a classe B será praticamente o único estrato social que vai ter uma expansão de gastos com compras abaixo da média da população brasileira. O consumo total deve crescer neste ano 9,9% em relação ao de 2012. Já o da classe B deve subir 6,6%, sem descontar a inflação.

O estudo foi feito com base em um modelo desenvolvido pela consultoria que leva em conta números dos censos e pesquisas do IBGE e fontes secundárias. O pano de fundo é a alta de 3% do PIB e inflação de 5,7%.

“A classe B neste ano está mais pobre do que em 2012 na sua capacidade de fazer novas compras, apesar de ter aumentado o número de domicílios urbanos nesse estrato social”, afirma Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing e responsável pelo estudo. De 2012 para 2013, a classe B foi ampliada em um pouco mais de 300 mil domicílios.

Ele explica que, de um ano para outro, a classe B “exportou” domicílios para a classe A, que ampliou em 11,6% sua capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, a classe B recebeu novas famílias, egressas da classe C. Elas ascenderam socialmente pela aquisição de bens, patrocinada pela abundância de crédito, mas sem ter renda compatível com essa capacidade de compra.

Isso ocorre porque o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep) e adotado pelos institutos de pesquisas, leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família para estratificar socialmente os domicílios. Exemplo: as casas de classe B têm duas TVs, um carro e um banheiro. Na classe A, o número de TVs e de carros dobra e de banheiros triplica. Pazzini diz que criou uma estratificação social de renda média familiar correspondente à posse de bens para se ter uma ideia mais concreta do perfil dessa população.

Luz amarela. O descompasso entre a posse de bens da classe B e a renda faz acender a luz amarela. “Se a inflação disparar, teremos problemas para todos, mas principalmente para a classe B”, diz Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio-SP.

Entre setembro de 2012 e março de 2013, cresceu de 36,2% para 47,3% a fatia de famílias endividadas com renda superior a 10 mínimos. Em igual período, o índice de famílias de renda menor endividadas caiu de 56,8% para 53,6%.

Risco de inadimplência já ronda a nova classe B

Com oferta de crédito ampliada por bancos e financeiras, famílias que ascenderam socialmente enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas

A maior oferta de crédito, direcionada nos últimos meses por bancos e financeiras às famílias de maior renda para fugir do risco de inadimplência, pode afetar a capacidade de pagamento de classes mais abastadas, especialmente aquelas que ascenderam socialmente empurradas pelo crédito. Isso é o que mostram duas pesquisas diferentes para traçar o perfil dos endividados.

Entre setembro de 2012 e março deste ano, a proporção de famílias endividadas com renda superior a dez salários mínimos (R$ 6.780) que acreditam que não vão conseguir quitar os compromissos em dia aumentou de 1,9% para 2,2%, segundo a Fecomércio-SP. Nesse período, a fatia das famílias com renda inferior a dez mínimos nessa mesma condição caiu de 6,4% para 4,3%.

O aperto das classes mais ricas fica claro também no resultado de uma pesquisa encomendada à Serasa e ao Ibope pelo Instituto Geoc, que reúne as empresas de cobrança de dívidas atrasadas. Uma entre quatro famílias das classes A e B, que pagam suas dívidas em dia, informou que falta dinheiro no fim do mês. O resultado mais que dobra, vai a 51%, entre as famílias inadimplentes nesse estrato de renda.

“Nos últimos meses, os bancos melhoraram suas carteiras de crédito e colocaram foco nas famílias mais ricas”, diz o assessor econômico da Fecomércio-SP, Fábio Pina. Por isso, na opinião dele, o endividamento e o risco de inadimplência aumentaram nesse estrato social, agravado agora com a inflação, que corrói renda de toda a população.

O avanço do crédito, misturado com a inadimplência ainda em níveis elevados, e agora com aumento da inflação, faz essa “nova classe B” adequar as dívidas ao orçamento mais apertado. Jair Lantaller, vice-presidente do Instituto Geoc e diretor da empresa Nova Quest, diz que 21% das dívidas renegociadas pela sua companhia no setor automotivo são do segundo carro da família. São prestações entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, que correspondem a veículos cujo preço à vista supera R$ 50 mil.

Além de renegociar a dívida, outra alternativa da classe B para não ficar inadimplente é trocar o veículo mais caro, comprado a prazo, por outro mais barato. “Cerca de 3% da nossa clientela faz essa mudança. Esse nível é considerado normal”, conta o diretor da concessionária GM Pallazzo, Wilson Goes. Ele diz, no entanto, que não sentiu aumento nesse tipo de operação.

Internet. Outro indicador que mostra que o consumo das famílias de maior renda deve recuar aparece na intenção de compras na internet, onde quase a metade ganha mais de R$ 4 mil. Em pesquisa do Provar com a empresa de informações do comércio eletrônico e-bit, 76,5% dos consumidores planejam ir às compras em lojas virtuais neste 2.º trimestre, 7,4 pontos porcentuais abaixo do primeiro trimestre e o menor resultado da série da pesquisa iniciada em 2007. Já no varejo tradicional, que abrange clientes de renda menor, o resultado ficou estável no período.

FONTE: O Estado de S.Paulo

Brasil compra seis vezes mais trigo dos Estados Unidos

O Brasil já comprou mais de 300 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos em 2013, volume seis vezes maior do que o registrado em todo o ano passado, beneficiado por uma recente redução de tarifa para importações fora do Mercosul, segundo dados dos governos do Brasil e dos EUA. Mas o prazo dado pelo governo brasileiro para as indústrias importarem toda a cota livre de taxa, de 2 milhões de toneladas, é exíguo, disseram integrantes do mercado nacional.

Preocupado com a inflação e diante de uma quebra de safra de trigo no Brasil e nos países vizinhos que elevou os preços, o governo brasileiro elevou a cota de importação do cereal de fora do Mercosul de 1 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas, mas manteve o prazo para a validade das compras sem tarifa até o final de julho.

“Não dará tempo para exercer os 2 milhões, [o prazo] teria que ser até meados de setembro, e não julho”, disse o empresário Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores do país.

Isso significa que as expectativas de uma demanda brasileira maior pelo cereal dos EUA – que deve dominar a cota – pode não ser toda cumprida, o que minimizaria os efeitos de maiores compras do Brasil sobre os preços internacionais.

Desde de que o governo anunciou a cota inicial, em fevereiro, as indústrias teriam comprado não mais do que 500 mil toneladas fora do Mercosul, estimou Pih, que também atua como conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e na Abitrigo, a entidade dos moinhos nacionais.

Cerca de 80% do trigo comprado fora do Mercosul, que está começando a chegar aos portos brasileiros, deve ser norte-americano, e o restante será canadense, prevê o industrial.

O empresário citou como principal fator para as empresas não conseguirem cumprir a cota a questão da disponibilidade de fluxo de caixa para as importações, diante das margens mais apertadas da indústria, além de problemas logísticos e de armazenagem.

Corrida contra o tempo

Uma vez que grande parte do trigo a ser comprado fora do Mercosul, dentro da cota livre de tarifa, virá dos EUA, os moinhos brasileiros terão que correr contra o tempo, pois leva 45 dias para o produto norte-americano chegar ao Brasil, além de outros dez dias para o cereal ser desembaraçado no porto.

Uma saída para aproveitamento total da cota, comentou Pih, seria ampliar o prazo de sua validade, mas essa é uma medida que, segundo ele, o governo não tomará, para não prejudicar os produtores brasileiros, que estão ampliando a área plantada em 2013 na expectativa de obterem bons preços pelo seu produto na colheita, que ganha força em agosto.

Fonte: DCI

Alimento puxa nova alta da inflação

Índice oficial medido pelo IBGE foi de 0,57% em setembro, influenciado pelos preços de diversos itens básicos, como carnes e frangos

A inflação oficial acelerou para 0,57% em setembro puxada, mais uma vez, pelo encarecimento dos alimentos. Os

aumentos de preços, que começaram por itens agrícolas atingidos pela seca ou pela redução de área plantada, foram mais disseminados desta vez, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A elevação do IPCA se deve, principalmente, aos produtos alimentícios, em função da menor oferta de itens básicos na alimentação das famílias. A alta atingiu grande parte dos produtos”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses afastou-se um pouco mais do centro da meta estipulada pelo governo, ao atingir 5,28%. Apesar da inflação em alta, aumentaram as apostas no mercado futuro de um novo corte de

0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária da próxima semana.

“Os números estão dentro do que o mercado acha que é o objetivo do Banco Central”, justificou Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os alimentos e bebidas subiram 1,26% em setembro.

O grupo já acumula alta de 9,51% em 12 meses e pode continuar a pressionar o IPCA até o fim do ano, segundo analistas. “O grande vilão nesse fim de ano será o complexo carnes. É ele que vai continuar pressionando a inflação. O fim do ano é entressafra de bovinos. O aumento da carne acaba puxando também os preços de frangos e suínos, que são produtos substitutos”, previu Leal.

O aumento recente nos preços de grãos como a soja, o milho e o trigo, por causa da redução na oferta causada por problemas climáticos, encareceu a ração animal. Como resultado, frangos, suínos e bovinos ficaram mais caros. Mas a expectativa é de uma descompressão gradual nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional para os próximos meses, o que já aparece no atacado.

“Os alimentos devem subir até o início de 2013, mas não devem acelerar nem preocupar”, avaliou Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista sênior da Franklin Templeton Investimentos Brasil.

No IPCA de setembro, as carnes subiram 2,27%, o maior impacto sobre a inflação do mês. Entretanto, também pesaram mais no bolso do consumidor o arroz, pão francês, batata inglesa, cebola, farinha de mandioca, alho e cerveja.

Embora os alimentos tenham sido destaque na inflação oficial, houve ainda aumento nas despesas das famílias com habitação, graças ao encarecimento da energia elétrica, água e esgoto, aluguel, condomínio e gás de botijão.

Entre os produtos não alimentícios, o principal aumento foi verificado nas passagens aéreas, que passaram de uma queda de 4,55% em agosto para uma alta de 4,99% em setembro.

“As passagens aéreas têm um preço diferenciado. As empresas oferecem tarifas a valores mais altos ou baixos em função da expectativa de faturamento. Se você não tem feriado nenhum, como em agosto, a tendência é de tarifas mais baixas, explicou Eulina. Ela lembrou que no mês passado teve o feriado da Independência, no dia 7 de setembro. “Então, a tendência era de que aumentasse um pouco”.

Preocupação. Na avaliação do coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Emerson Marçal, a inflação começa a preocupar. A expectativa é que o índice encerre o ano ao redor de 5,5%.

“Dizer que a inflação está fora de controle é muito forte, mas ela subiu um degrau. Tem de prestar atenção para ver o que vai acontecer”, declarou Marçal. “A atividade econômica está retomando, então, se o IPCA chegar a 6%, o governo terá de tomar alguma medida para corrigir o rumo”.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Comercialização de ovos de Páscoa deve crescer 10%, aponta a Apas

As vendas de ovos de chocolate devem crescer 10% em termos reais, já descontada a inflação, na Páscoa deste ano em relação à mesma data do ano passado, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação Paulista de Supermercados (Apas). O crescimento das vendas deve ser puxado, principalmente, pelos consumidores da classe C, que nos últimos anos vêm ampliando seu poder de compra. A Apas ressaltou que a proximidade da Páscoa já se reflete nos preços do produto. -
De acordo com o índice de preços nos supermercados, medido pela associação, nos últimos doze meses o preço do chocolate registrou queda de 4,23%. No entanto, em janeiro, este indicador apresentou alta de 0,63%. A expectativa é por um aumento nos preços do produto conforme a data se aproxime, diz a entidade.
A estimativa de fornecedores consultados pelo departamento de economia da Apas é de que os preços fiquem, em média, 9% mais caros este ano em relação ao ano passado. “A alta deve ser influenciada pelo reajustes de preços dos insumos para produção dos ovos de Páscoa, principalmente o açúcar, a energia elétrica e a mão de obra”, afirmou a Apas, em comunicado.
Além de chocolates, outros itens devem ganhar representatividade na área de vendas dos supermercados nesta Páscoa. Entre eles, os pescados em geral, com um maior volume de vendas de bacalhau, de sardinha e de pescada branca. Entre os acompanhamentos, o destaque deve ficar por conta dos vinhos e dos azeites, com expectativa de crescimento de 9% nas vendas.
Temporários
Para esta Páscoa, levantamento do Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), feito a pedido da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) e do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem), vê um aumento de 2% no total de contratações temporárias em relação ao ano passado.
No total, devem ser admitidas, temporariamente, 71,5 mil pessoas no País para atuarem na indústria e no varejo este ano, segundo o estudo. A expectativa é de que 12% destes trabalhadores sejam efetivados após o domingo de Páscoa, que neste ano ocorre no dia 8 de abril. No ano passado, foram contratados 70,1 mil trabalhadores temporários, dos quais 25% foram efetivados.
Abicab
Ao apresentar os lançamentos para o período, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) disse que as fábricas e lojas do ramo iniciaram as contratações desde outubro de 2011. Apesar de temporários, o empregador deve atentar ao que diz a lei 6.019/74, que regula o contrato de trabalho temporário.

Fonte : DCI