Preço dos alimentos tem primeira queda em São Paulo desde março de 2012

Dados da Fipe mostram que alimentos tiveram deflação de 0,14%, o que deve ajudar a reduzir a inflação – que segue pressionada por itens como gastos com saúde e vestuário

O preço dos alimentos em São Paulo teve a primeira deflação desde março do ano passado. Segundo os números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os alimentos tiveram queda de 0,14% na segunda quadrissemana de maio, o que surpreendeu os economistas do instituto. Os serviços, no entanto, continuam a pressionar o índice – os preços do grupo Saúde, por exemplo, tiveram alta de 1,71% no período.

“A queda dos alimentos in natura foi uma surpresa”, disse o coordenador do indicador da Fipe, Rafael Costa Lima. “Tínhamos perspectiva de que a deflação de alimentos viria em algum momento, mas, aparentemente, já chegou e veio com força.”

Os alimentos foram considerados nos últimos meses os vilões da alta da inflação, que em março ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Banco Central, de 6,5% ao ano – nesse caso, o indicador oficial é o IPCA, medido pelo IBGE. Mas o governo e o próprio BC insistiam que a elevação de preços era um problema sazonal.

Na quinta-feira, um outro índice de inflação, o Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10), da Fundação Getúlio Vargas, também havia detectado o recuo dos preços dos alimentos. Dentro do índice, os alimentos in natura apresentaram deflação – o preço do tomate, por exemplo, apresentou recuo de 14,7%. Mas, segundo a FGV, esse é um movimento que pode ter fôlego curto.

“A desaceleração da alimentação está muito concentrada nos produtos in natura. Entre os derivados de matérias-primas agropecuárias, a influência é menor. Não é uma desaceleração generalizada. Talvez continue por mais um tempo, mas não tem fôlego para ir muito longe”, disse Salomão Quadros, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O Banco Central, porém, continua confiante na queda dos preços dos alimentos para que a inflação não dispare. “A inflação já está caindo no atacado. Nos próximos três meses, teremos inflação mais baixa no nível do consumidor. Em maio, junho e julho, veremos a inflação mais baixa, refletindo inclusive a queda nos preços de alimentos”, disse nesta semana o presidente do BC, Alexandre Tombini.

Revisão. A queda inesperada no conjunto de preços do grupo Alimentação na segunda quadrissemana de maio levou a Fipe a mudar sua projeção para o dado fechado do mês. A expectativa atual de Costa Lima é de que o IPC encerre maio com uma alta de 0,28%, e não mais em 0,33%.

O grupo Alimentação, por sua vez, após a retração de 0,14% na segunda medição, deverá, segundo o economista, terminar com 0,07%, ante uma estimativa anterior de 0,27%. A expectativa de Costa Lima era de que o grupo ainda apresentasse uma taxa positiva para a segunda quadrissemana, de 0,04%.

“Os produtos in natura podem continuar em queda, mas os industrializados podem não cair tanto. Com isso, prevemos um IPC de 0,28% no final do mês”, disse o economista, que manteve sua projeção de inflação de 5,00% no fechamento de 2013.

Na avaliação dele, o grupo Saúde deverá permanecer pressionando a inflação dos paulistanos até o final do mês, em razão do impacto do reajuste recente nos preços dos medicamentos. “Tem ainda Vestuário, que está subindo mais do que o esperado”, admitiu, acrescentando que prevê taxas de 1,14% para a Saúde e de 0,59% para o grupo Vestuário.

FONTE: O Estado de S.Paulo

Inflação e endividamento vão reduzir participação da classe B no consumo

Além de perder participação no total de compras, a classe B será praticamente o único estrato social que terá expansão de gastos com compras abaixo da média da população

Inflação em alta e endividamento elevado vão tirar neste ano o fôlego das compras da classe B, o estrato social mais importante no consumo das famílias do País. A participação de domicílios com renda média mensal entre R$ 3,7 mil e R$ 7,4 mil no bolo total dos gastos com produtos e serviços de R$ 2,8 trilhões projetado para este ano deve ser de 48,5%, aponta estudo da IPC Marketing, consultoria especializada em avaliar o potencial de consumo. Em 2012, essa fatia havia sido de 50%.

Além de perder participação no total de compras nos 5 mil municípios do País, a classe B será praticamente o único estrato social que vai ter uma expansão de gastos com compras abaixo da média da população brasileira. O consumo total deve crescer neste ano 9,9% em relação ao de 2012. Já o da classe B deve subir 6,6%, sem descontar a inflação.

O estudo foi feito com base em um modelo desenvolvido pela consultoria que leva em conta números dos censos e pesquisas do IBGE e fontes secundárias. O pano de fundo é a alta de 3% do PIB e inflação de 5,7%.

“A classe B neste ano está mais pobre do que em 2012 na sua capacidade de fazer novas compras, apesar de ter aumentado o número de domicílios urbanos nesse estrato social”, afirma Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing e responsável pelo estudo. De 2012 para 2013, a classe B foi ampliada em um pouco mais de 300 mil domicílios.

Ele explica que, de um ano para outro, a classe B “exportou” domicílios para a classe A, que ampliou em 11,6% sua capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, a classe B recebeu novas famílias, egressas da classe C. Elas ascenderam socialmente pela aquisição de bens, patrocinada pela abundância de crédito, mas sem ter renda compatível com essa capacidade de compra.

Isso ocorre porque o Critério Brasil, da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep) e adotado pelos institutos de pesquisas, leva em conta a posse de bens e o nível de escolaridade do chefe da família para estratificar socialmente os domicílios. Exemplo: as casas de classe B têm duas TVs, um carro e um banheiro. Na classe A, o número de TVs e de carros dobra e de banheiros triplica. Pazzini diz que criou uma estratificação social de renda média familiar correspondente à posse de bens para se ter uma ideia mais concreta do perfil dessa população.

Luz amarela. O descompasso entre a posse de bens da classe B e a renda faz acender a luz amarela. “Se a inflação disparar, teremos problemas para todos, mas principalmente para a classe B”, diz Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio-SP.

Entre setembro de 2012 e março de 2013, cresceu de 36,2% para 47,3% a fatia de famílias endividadas com renda superior a 10 mínimos. Em igual período, o índice de famílias de renda menor endividadas caiu de 56,8% para 53,6%.

Risco de inadimplência já ronda a nova classe B

Com oferta de crédito ampliada por bancos e financeiras, famílias que ascenderam socialmente enfrentam dificuldades para pagar suas dívidas

A maior oferta de crédito, direcionada nos últimos meses por bancos e financeiras às famílias de maior renda para fugir do risco de inadimplência, pode afetar a capacidade de pagamento de classes mais abastadas, especialmente aquelas que ascenderam socialmente empurradas pelo crédito. Isso é o que mostram duas pesquisas diferentes para traçar o perfil dos endividados.

Entre setembro de 2012 e março deste ano, a proporção de famílias endividadas com renda superior a dez salários mínimos (R$ 6.780) que acreditam que não vão conseguir quitar os compromissos em dia aumentou de 1,9% para 2,2%, segundo a Fecomércio-SP. Nesse período, a fatia das famílias com renda inferior a dez mínimos nessa mesma condição caiu de 6,4% para 4,3%.

O aperto das classes mais ricas fica claro também no resultado de uma pesquisa encomendada à Serasa e ao Ibope pelo Instituto Geoc, que reúne as empresas de cobrança de dívidas atrasadas. Uma entre quatro famílias das classes A e B, que pagam suas dívidas em dia, informou que falta dinheiro no fim do mês. O resultado mais que dobra, vai a 51%, entre as famílias inadimplentes nesse estrato de renda.

“Nos últimos meses, os bancos melhoraram suas carteiras de crédito e colocaram foco nas famílias mais ricas”, diz o assessor econômico da Fecomércio-SP, Fábio Pina. Por isso, na opinião dele, o endividamento e o risco de inadimplência aumentaram nesse estrato social, agravado agora com a inflação, que corrói renda de toda a população.

O avanço do crédito, misturado com a inadimplência ainda em níveis elevados, e agora com aumento da inflação, faz essa “nova classe B” adequar as dívidas ao orçamento mais apertado. Jair Lantaller, vice-presidente do Instituto Geoc e diretor da empresa Nova Quest, diz que 21% das dívidas renegociadas pela sua companhia no setor automotivo são do segundo carro da família. São prestações entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, que correspondem a veículos cujo preço à vista supera R$ 50 mil.

Além de renegociar a dívida, outra alternativa da classe B para não ficar inadimplente é trocar o veículo mais caro, comprado a prazo, por outro mais barato. “Cerca de 3% da nossa clientela faz essa mudança. Esse nível é considerado normal”, conta o diretor da concessionária GM Pallazzo, Wilson Goes. Ele diz, no entanto, que não sentiu aumento nesse tipo de operação.

Internet. Outro indicador que mostra que o consumo das famílias de maior renda deve recuar aparece na intenção de compras na internet, onde quase a metade ganha mais de R$ 4 mil. Em pesquisa do Provar com a empresa de informações do comércio eletrônico e-bit, 76,5% dos consumidores planejam ir às compras em lojas virtuais neste 2.º trimestre, 7,4 pontos porcentuais abaixo do primeiro trimestre e o menor resultado da série da pesquisa iniciada em 2007. Já no varejo tradicional, que abrange clientes de renda menor, o resultado ficou estável no período.

FONTE: O Estado de S.Paulo

Brasil compra seis vezes mais trigo dos Estados Unidos

O Brasil já comprou mais de 300 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos em 2013, volume seis vezes maior do que o registrado em todo o ano passado, beneficiado por uma recente redução de tarifa para importações fora do Mercosul, segundo dados dos governos do Brasil e dos EUA. Mas o prazo dado pelo governo brasileiro para as indústrias importarem toda a cota livre de taxa, de 2 milhões de toneladas, é exíguo, disseram integrantes do mercado nacional.

Preocupado com a inflação e diante de uma quebra de safra de trigo no Brasil e nos países vizinhos que elevou os preços, o governo brasileiro elevou a cota de importação do cereal de fora do Mercosul de 1 milhão de toneladas para 2 milhões de toneladas, mas manteve o prazo para a validade das compras sem tarifa até o final de julho.

“Não dará tempo para exercer os 2 milhões, [o prazo] teria que ser até meados de setembro, e não julho”, disse o empresário Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores do país.

Isso significa que as expectativas de uma demanda brasileira maior pelo cereal dos EUA – que deve dominar a cota – pode não ser toda cumprida, o que minimizaria os efeitos de maiores compras do Brasil sobre os preços internacionais.

Desde de que o governo anunciou a cota inicial, em fevereiro, as indústrias teriam comprado não mais do que 500 mil toneladas fora do Mercosul, estimou Pih, que também atua como conselheiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e na Abitrigo, a entidade dos moinhos nacionais.

Cerca de 80% do trigo comprado fora do Mercosul, que está começando a chegar aos portos brasileiros, deve ser norte-americano, e o restante será canadense, prevê o industrial.

O empresário citou como principal fator para as empresas não conseguirem cumprir a cota a questão da disponibilidade de fluxo de caixa para as importações, diante das margens mais apertadas da indústria, além de problemas logísticos e de armazenagem.

Corrida contra o tempo

Uma vez que grande parte do trigo a ser comprado fora do Mercosul, dentro da cota livre de tarifa, virá dos EUA, os moinhos brasileiros terão que correr contra o tempo, pois leva 45 dias para o produto norte-americano chegar ao Brasil, além de outros dez dias para o cereal ser desembaraçado no porto.

Uma saída para aproveitamento total da cota, comentou Pih, seria ampliar o prazo de sua validade, mas essa é uma medida que, segundo ele, o governo não tomará, para não prejudicar os produtores brasileiros, que estão ampliando a área plantada em 2013 na expectativa de obterem bons preços pelo seu produto na colheita, que ganha força em agosto.

Fonte: DCI

Preços seguem em alta e economistas preveem inflação acima de 6% em 2013

Índice oficial, o IPCA, fechou 2012 em 5,84%; remuneração dos títulos do Tesouro já embute índice próximo ao teto da meta de inflação

Pressionada pelos preços dos alimentos e dos serviços, a inflação subiu um degrau e deve continuar em alta a maior parte deste ano. Até setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)em 12 meses deve ser igual ou superior a 6%, preveem economistas. A inflação encerrou 2012 com alta de 5,84%, o terceiro resultado consecutivo acima do centro da meta de 4,5% traçada pelo Banco Central (BC).

A mudança de patamar do custo de vida no País é ratificada pelos investidores. A taxa de inflação embutida na remuneração dos títulos do governo brasileiro vendidos no mercado financeiro aponta para um IPCA superior a 6,5% este ano e um pouco abaixo de 6%, mas com tendência de alta, para 2014 e 2015, segundo levantamento da LCA Consultores feito com base nas negociações efetivas desses papéis. “Isso significa que há investidores apostando dinheiro na alta da inflação”, observa o economista da consultoria, Antonio Madeira.

É consenso entre os economistas de consultorias privadas, bancos e institutos de pesquisa independentes que o IPCA gire em torno de 6% boa parte do ano. O alívio na inflação, pondera Fábio Romão, economista da LCA responsável por essa projeção, é esperado só para o último trimestre. A partir de outubro, diz ele, o impacto do choque de preços agrícolas de 2012 deve sair da conta do IPCA acumulado em 12 meses, com inflação fechando o ano em 5,3%. Em 2012, a alimentação subiu 9,86% e a perspectiva para este ano é de uma alta ainda forte, de 6%.

Na semana passada, analistas ouvidos pelo Boletim Focus do BC elevaram de 5,47% para 5,49% a perspectiva de inflação para 2013. Em um mês, o mercado aumentou em 0,10 ponto porcentual a projeção para 2013.

Risco. Já a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro, espera inflação de 6% para 2013 e não vê alívio nos preços dos alimentos. Ao contrário: ela diz que o grande fator de risco inflacionário hoje é o clima.

Primeiro, porque o impacto da seca já ameaça a redução de 20% na tarifa de energia elétrica anunciada pelo governo no fim de 2012 para vigorar no mês que vem, um dos poucos fatores que atenuariam a inflação. É que a escassez de chuvas, que fez

baixar o nível dos reservatórios das hidrelétricas, pode levar ao acionamento das termoelétricas, que têm custo maior na geração de energia. Isso pode diminuir o tamanho do corte na tarifa.

O outro impacto do clima, segundo Tatiana, pode recair sobre os preços dos alimentos. Por enquanto, o governo informa que a safra será recorde. Mas, para ela, o cenário agrícola é incerto por causa da falta de chuvas.

“As pesquisas mostram que a safra será muito boa. Mas, na verdade, só vamos ter certeza mais para a frente”, pondera Salomão Quadros, coordenador dos IGPs da FGV. Ele explica que, se houvesse certeza absoluta em relação à boa safra, os preços dos alimentos já estariam até caindo.

Mas esse movimento ainda não foi captado pelos índices de preços agrícolas no atacado.

Redução de preços em 2013 é remota

Há pouca pressão desinflacionária no cenário de preços para este ano. A constatação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, Rafael da Costa Lima. Ele lembra que, em 2012, houve um viés de redução de preços no primeiro semestre por causa da crise internacional, o que não deve ocorrer em 2013.

Entre os aumentos previstos para este ano estão o da gasolina e do diesel, já sinalizados pelo governo e que os economistas acreditam que deva ocorrer no primeiro semestre. Fábio Romão, economista da LCA Consultores, projeta alta de 7,5% para a gasolina e de 10% para o diesel.

Também os preços dos eletrodomésticos (fogões, geladeiras e lavadoras) e dos automóveis estão na fila dos aumentos por causa da volta gradual da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) programada, mês a mês, para o primeiro semestre. As montadoras já sinalizaram aumentos de preços além da volta gradual do IPI. Volkswagen, por exemplo, já informou aos revendedores que, além do IPI, deve reajustar sua tabela em até 2%.

Além disso, como 2012 foi um ano eleitoral, os reajustes de transporte urbano ficaram represados e a perspectiva é de que eles ocorram neste ano. “Como a tarifa de transporte público não subiu em 2012 por causa do calendário eleitoral, normalmente no ano seguinte vem a compensação”, observa o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros.

Cigarro. Outra pressão vem do reajuste do preço do cigarro feito pela indústria na virada do ano e que deve atingir a inflação de janeiro. De acordo com a Fipe, o impacto do reajuste da indústria será de 15,52% neste mês. Fora esses aumentos, há aqueles que ocorrem todos os anos por causa da virada do calendário, os chamados “reajustes gregorianos”, como o das mensalidades escolares, lembra a coordenadora do Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cornélia Nogueira Porto.

Mas o que promete mais uma vez não dar trégua são os preços dos serviços. Pressionados pela escassez de mão de obra, os preços dos serviços devem fazer com que a inflação se mantenha em patamares elevados este ano. Em 2012, os serviços subiram 8,7%, segundo a apuração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, um ponto abaixo do resultado de 2011 (9,7%). O grande destaque no ano passado foi o gasto com empregado doméstico que subiu 12,73% e foi o item que mais pesou no IPCA.

Neste caso, além da falta de trabalhadores, o reajuste do salário mínimo de 14% nominal contribuiu para a disparada de preços em 2012. Neste ano, o salário mínimo deve subir 9%. É uma alta menor, mas ainda significativa.

Elson Teles, economista do Itaú-Unibanco, calcula um aumento de 8% para os serviços em 2013. “Os serviços refletem a dinâmica do mercado de trabalho”, diz Teles. Como eles respondem por cerca de um terço do IPCA, para que a inflação convirja para o centro da meta, que é de 4,5%, seria preciso que os outros 75% dos preços registrassem variações muito baixas, o que é improvável.

Impulsos. Um fator que preocupa os economistas e que pode colocar mais lenha na inflação ao longo deste ano é o próprio ritmo de crescimento da economia. Para a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro, além do clima, esse é um fator de risco.

“Se todos os impulsos dados à atividade econômica fizerem efeito e a demanda começar a responder a esses estímulos, isso terá impacto sobre os preços”, alerta Tatiana. A economista trabalha com a perspectiva de IPCA de 6% para este ano, considerando que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 3,1%.

No ano passado, a inflação subiu 5,84%, num cenário de crescimento projetado em torno de 1% para o PIB. “Foi muita inflação para um ritmo muito baixo de crescimento econômico”, ressalta Teles, do Itaú-Unibanco.

Veículo: O Estado de S.Paulo

Alimento puxa nova alta da inflação

Índice oficial medido pelo IBGE foi de 0,57% em setembro, influenciado pelos preços de diversos itens básicos, como carnes e frangos

A inflação oficial acelerou para 0,57% em setembro puxada, mais uma vez, pelo encarecimento dos alimentos. Os

aumentos de preços, que começaram por itens agrícolas atingidos pela seca ou pela redução de área plantada, foram mais disseminados desta vez, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A elevação do IPCA se deve, principalmente, aos produtos alimentícios, em função da menor oferta de itens básicos na alimentação das famílias. A alta atingiu grande parte dos produtos”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses afastou-se um pouco mais do centro da meta estipulada pelo governo, ao atingir 5,28%. Apesar da inflação em alta, aumentaram as apostas no mercado futuro de um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária da próxima semana.

“Os números estão dentro do que o mercado acha que é o objetivo do Banco Central”, justificou Luis Otávio Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os alimentos e bebidas subiram 1,26% em setembro.

O grupo já acumula alta de 9,51% em 12 meses e pode continuar a pressionar o IPCA até o fim do ano, segundo analistas. “O grande vilão nesse fim de ano será o complexo carnes. É ele que vai continuar pressionando a inflação. O fim do ano é entressafra de bovinos. O aumento da carne acaba puxando também os preços de frangos e suínos, que são produtos substitutos”, previu Leal.

O aumento recente nos preços de grãos como a soja, o milho e o trigo, por causa da redução na oferta causada por problemas climáticos, encareceu a ração animal. Como resultado, frangos, suínos e bovinos ficaram mais caros. Mas a expectativa é de uma descompressão gradual nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional para os próximos meses, o que já aparece no atacado.

“Os alimentos devem subir até o início de 2013, mas não devem acelerar nem preocupar”, avaliou Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista sênior da Franklin Templeton Investimentos Brasil.

No IPCA de setembro, as carnes subiram 2,27%, o maior impacto sobre a inflação do mês. Entretanto, também pesaram mais no bolso do consumidor o arroz, pão francês, batata inglesa, cebola, farinha de mandioca, alho e cerveja.

Embora os alimentos tenham sido destaque na inflação oficial, houve ainda aumento nas despesas das famílias com habitação, graças ao encarecimento da energia elétrica, água e esgoto, aluguel, condomínio e gás de botijão.

Entre os produtos não alimentícios, o principal aumento foi verificado nas passagens aéreas, que passaram de uma queda de 4,55% em agosto para uma alta de 4,99% em setembro.

“As passagens aéreas têm um preço diferenciado. As empresas oferecem tarifas a valores mais altos ou baixos em função da expectativa de faturamento. Se você não tem feriado nenhum, como em agosto, a tendência é de tarifas mais baixas, explicou Eulina. Ela lembrou que no mês passado teve o feriado da Independência, no dia 7 de setembro. “Então, a tendência era de que aumentasse um pouco”.

Preocupação. Na avaliação do coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Emerson Marçal, a inflação começa a preocupar. A expectativa é que o índice encerre o ano ao redor de 5,5%.

“Dizer que a inflação está fora de controle é muito forte, mas ela subiu um degrau. Tem de prestar atenção para ver o que vai acontecer”, declarou Marçal. “A atividade econômica está retomando, então, se o IPCA chegar a 6%, o governo terá de tomar alguma medida para corrigir o rumo”.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Comercialização de ovos de Páscoa deve crescer 10%, aponta a Apas

As vendas de ovos de chocolate devem crescer 10% em termos reais, já descontada a inflação, na Páscoa deste ano em relação à mesma data do ano passado, segundo levantamento divulgado ontem pela Associação Paulista de Supermercados (Apas). O crescimento das vendas deve ser puxado, principalmente, pelos consumidores da classe C, que nos últimos anos vêm ampliando seu poder de compra. A Apas ressaltou que a proximidade da Páscoa já se reflete nos preços do produto. -
De acordo com o índice de preços nos supermercados, medido pela associação, nos últimos doze meses o preço do chocolate registrou queda de 4,23%. No entanto, em janeiro, este indicador apresentou alta de 0,63%. A expectativa é por um aumento nos preços do produto conforme a data se aproxime, diz a entidade.
A estimativa de fornecedores consultados pelo departamento de economia da Apas é de que os preços fiquem, em média, 9% mais caros este ano em relação ao ano passado. “A alta deve ser influenciada pelo reajustes de preços dos insumos para produção dos ovos de Páscoa, principalmente o açúcar, a energia elétrica e a mão de obra”, afirmou a Apas, em comunicado.
Além de chocolates, outros itens devem ganhar representatividade na área de vendas dos supermercados nesta Páscoa. Entre eles, os pescados em geral, com um maior volume de vendas de bacalhau, de sardinha e de pescada branca. Entre os acompanhamentos, o destaque deve ficar por conta dos vinhos e dos azeites, com expectativa de crescimento de 9% nas vendas.
Temporários
Para esta Páscoa, levantamento do Instituto de Pesquisa Manager (Ipema), feito a pedido da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem) e do Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário do Estado de São Paulo (Sindeprestem), vê um aumento de 2% no total de contratações temporárias em relação ao ano passado.
No total, devem ser admitidas, temporariamente, 71,5 mil pessoas no País para atuarem na indústria e no varejo este ano, segundo o estudo. A expectativa é de que 12% destes trabalhadores sejam efetivados após o domingo de Páscoa, que neste ano ocorre no dia 8 de abril. No ano passado, foram contratados 70,1 mil trabalhadores temporários, dos quais 25% foram efetivados.
Abicab
Ao apresentar os lançamentos para o período, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) disse que as fábricas e lojas do ramo iniciaram as contratações desde outubro de 2011. Apesar de temporários, o empregador deve atentar ao que diz a lei 6.019/74, que regula o contrato de trabalho temporário.

Fonte : DCI

Inflação de supermercados recua para 0,43% em janeiro

Os preços nos supermercados paulistas subiram, em média, 0,43% em janeiro em relação a dezembro, segundo o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Em dezembro ante o mês anterior, a elevação foi de 1,34%. No período de 12 meses, até janeiro, o IPS teve alta de 5,5%, abaixo do registrado no mesmo período em janeiro de 2011 (7,62%).
O grupo que apresentou maior alta nos preços em janeiro foi o de produtos in natura, com inflação de 3,31%. De acordo com a APAS, os preços dos hortifrutigranjeiros vêm sofrendo o impacto de fatores climáticos, como a estiagem no Sul do País e as chuvas na Região Sudeste. No período, também tiveram aumento os semielaborados – carnes, cereais e leite – (0,26%), alimentos industrializados (0,06%), bebidas alcoólicas (1,67%) e produtos de limpeza (0,5%).
Entre os itens cujos preços mais subiram em janeiro ante dezembro estão legumes (10,65%), tomate (12,55%) e feijão (12,93%). Mesmo com o avanço nos preços em janeiro, a APAS destaca que o IPS ficou abaixo dos demais índices de inflação do período.
Ainda de acordo com a entidade, a previsão para 2012 é de desaceleração, principalmente em relação a bebidas. “E esta tendência ainda não pode ser captada neste primeiro mês do ano, e desta maneira, os resultados dos próximos meses, principalmente, de fevereiro, março e abril poderão dar maior previsibilidade para a expectativa de preços para 2012″, afirma a APAS, em nota.

Fonte: Diário do Grande ABC – SP

Preços de verão sobem mais que a inflação

Em meio a pressões de custo e alta do consumo, produtos como cerveja, sorvete e bermuda aumentam mais que o IPCA

Hotel (17%) e passagem aérea (53%) também sobem forte; ventilador e ar-condicionado são exceções e recuam

No verão de 2011, mais ensolarado e com menos chuva que o atual, a vendedora Renata Miranda, 27, e sua mãe, Elisabeth, 52, ofereciam cerveja a R$ 3 na barraca que mantêm há dez anos no Posto 9, em Ipanema (Rio).

Passado um ano, a mesma latinha custa R$ 4. Nas tabelas de preço, também subiram caipirinha, coco, água e aluguel de cadeira e guarda-sol em vários pontos da praia.

“Mas, de tudo o que compramos, foi a cerveja que ficou mais cara”, diz Elisabeth, que há 25 anos trabalha na praia e conseguiu, com a renda, colocar a filha na faculdade de direito.

Dono de barraca há três décadas, Manuel Ferreira da Silva, 73, também reclama. “Tudo subiu muito e tivemos de repassar. O gelo, que eu pagava R$ 7, não sai por menos de R$ 10 o saco. E são ao menos dez num sábado de sol.”

Levantamento da Folha a partir de dados do IBGE mostra que vários itens de verão subiram mais no acumulado de janeiro a dezembro de 2011 do que em igual período de 2010. Na lista estão sorvete (16,41%), cerveja fora de casa (14,72%), refrigerante e água fora de casa (11%).

Nem todos os produtos são pesquisados pelos índices oficiais de preço. Em Ipanema, por exemplo, o coco passou de R$ 3 para até R$ 4,5, mas não entra na inflação.

Não só produtos vendidos na praia aumentaram. Subiram bermuda masculina (11,16%), sandália feminina (12,73%) e depilação (10%). Os gastos de férias também subiram, como hotel (17,37%) e passagem aérea (52,91%).

Todos os itens citados oscilaram acima do IPCA, cuja alta foi de 6,5% em 2011.

Pressões de custo (como a alta do salário mínimo e seu impacto nos serviços), aumento de impostos (bebidas), renda em alta e a consequente elevação do consumo explicam os reajustes de artigos típicos da estação quente, segundo economistas.

Exceções são ventilador e ar-condicionado, cujos preços caíram na esteira da concorrência com importados.

PÉ NO FREIO

Com preços mais altos, os consumidores colocaram o pé no freio. A vendedora Elisabeth diz que tem de “suar muito” para atrair clientes.

“No começo de dezembro, foi ruim, mas vieram as festas e, com elas, os turistas. Daí, as pessoas passaram a gastar um pouco mais”, completa a filha Renata.

O maior problema enfrentado, porém, é o clima instável. “Ainda não tivemos neste verão três dias seguidos de sol”, diz o vendedor Silva.

Fonte: Folha de S.Paulo

Em 12 meses, preço do pão francês sobe menos do que inflação, diz FGV

SÃO PAULO – No próximo dia 16 de outubro comemora-se o Dia Mundial do Pão. A celebração da data motivou um estudo dos preços do produto, revelando que nos últimos 12 meses o preço do pão francês subiu 4,35%, acima da inflação de 7,14%, registrada entre outubro e setembro de 2011.

O estudo foi elaborado pelo economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), André Braz. O especialista pontuou que a alta aconteceu apesar do preço da farinha ter subido, no mesmo período, em ritmo mais acelerado, de 12,44%.

O peso da concorrência
Braz explica que isso indica que a concorrência freou o aumento. “O fato de os supermercados, além das padarias, também fabricarem seus pãezinhos para favorecer a venda de outros produtos, como queijo, manteiga e frios, contou para esse resultado”.

O estudo de Braz ainda mostrou a variação dos preços de produtos semelhantes, como a torrada, que teve alta mais forte, de 10,67% entre outubro de 2010 e setembro deste ano. No período, o pão de forma também bateu a inflação, registrando aumento nos preços de 7,69%

 

 

Fonte:  Uol

 

Alta do dólar deve pressionar a inflação nos próximos meses

Consultoria estima que as commodities devem subir 9,5% no Brasil, caso a cotação média do dólar este mês fique em torno de R$ 1,75; preço de manufaturados importados também deve subir

A escalada do dólar deve ter forte impacto na inflação ao consumidor no último trimestre do ano, tanto pelo lado das cotações dos alimentos e de outras matérias primas, como das cotações dos produtos manufaturados.

Se o câmbio médio deste mês girar em torno R$ 1,75, os preços das commodities terão alta de 9,5% em reais, com reflexos nos preços no atacado e no varejo, calcula o sócio da RC Consultores, Fabio Silveira.

“Será uma forte pressão inflacionária sobre os IGPs e os IPCs”, afirma o economista. Para chegar a esse número, ele considerou um câmbio médio de R$ 1,75 neste mês e o comportamento do índice CRB (Commodity Research Bureau), que acompanha a cotação de 25 commodities, entre as quais estão alimentos, metais e petróleo.

Apesar de o índice CRB ter recuado desde julho em dólar, o dólar caminhou no sentido oposto e se valorizou em relação ao real. Com isso foi anulado o impacto desinflacionário dos preços em reais das commodities.

Silveira não se arrisca a projetar o tamanho do repasse da alta dos preços das commodities para o IPCA, Mas diz que no quarto trimestre de 2010, quando os preços das commodities medidos pelo CRB variaram entre 4% e 5% em reais, o impacto ocorreu no primeiro trimestre deste ano: em fevereiro e março, o IPCA variou entre 0,7 a 0,8% ao mês. “O impacto é inevitável.”

José Augusto de Castro, vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), observa que apesar de os importadores terem fechado o câmbio quando a cotação era mais favorável às compras externas, provavelmente haverá algum repasse porque a conta que o empresário faz é custo de reposição do produto. Com o dólar mais alto, o custo aumenta.

“É possível que haja um aumento de 10% nos preços em reais dos manufaturados no Natal”, prevê Castro. Ele observa também que, do ponto de vista das exportações, o dólar na casa de R$ 1,80 diminui a defasagem, mas ainda é insuficiente para tornar os produtos brasileiros competitivos no exterior.

“O dólar terá impacto nos preços dos produtos, seja no arroz, no feijão ou no iPad”, afirma Antonio Pargana, presidente da Cisa Tranding, uma das maiores tradings e que administra as importações da Apple no Brasil.

O executivo pondera que no caso dos automóveis, o maior impacto decorre não do câmbio, mas do aumento do IPI para as marcas que importam fora do Mercosul e do México. “Neste caso, as importações podem cair abaixo de 50%”, diz ele, após ter trocado ideias com os clientes.

O presidente da Sertranding, Alfredo de Goeye, considera que o impacto inflacionário do câmbio nos importados deve ocorrer a médio prazo. “Os reflexos no comércio exterior são mais demorados”, diz o executivo. Ele explica que um pedido fechado hoje com dólar beirando a R$ 1,80 chegará no País em 90 dias.

Fonte:   O Estado de S.Paulo