Fórum Nacional do Trigo em Londrina (PR)

O Brasil tem tecnologia e áreas disponíveis para a produção de trigo, condição para por fim à dependência do produto importado. Este será o tom da palestra do pesquisador Sérgio Roberto Dotto, chefe-geral da Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS), no 8º Fórum Nacional do Trigo, que será realizado desta terça-feira (27) a sexta-feira, em Londrina. O Fórum acontece simultaneamente com a 7ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) nas dependências do Parque de Exposições Governador Ney Braga.

Dotto participa do painel “Futuro do trigo no Brasil”, programado para amanhã, a partir das 13h30. O chefe-geral da Embrapa Trigo é taxativo. “A dificuldade do trigo não é tecnologia. O gargalo é o comércio.” Dotto diz que falta uma política para o produto no País, lembrando que as indústrias moageiras preferem importar trigo do Mercosul a comprar o produto brasileiro. Segundo ele, 75% do consumo estão localizados no Sudeste, Nordeste e Norte do País. Ele também sustenta que a busca pela independência no abastecimento do trigo é uma questão de segurança nacional.

Por outro lado, a pesquisa disponibiliza variedades que alcançam bom rendimento e atendem as exigências do mercado. Segundo Dotto, a produtividade, que na década de 1970 era de 700 quilos por hectare (kg/ha), hoje alcança 2,5 mil kg/ha. O pesquisador acrescenta que 90% do trigo colhido no Sul é panificável, o que desmonta argumentos de que o produto brasileiro não atende as necessidades da indústria.

Programação
O 8º Fórum Nacional do Trigo e 7ª RCBPTT têm início hoje, às 19h30 com a conferência “Política agrícola para a produção de trigo no Brasil”. A partir das 8h30 de amanhã está programado o painel “Mercado para o trigo brasileiro: situação atual de logística, tributação, importação e exportação”. Às 13h30, está programado o painel com a visão da pesquisa. Em seguida, às 16h15, será realizado o painel “Qualidade industrial e pós-colheita”.

Na quinta-feira, às 8h30 tem início a 7ª RCBPTT, com a conferência “A importância do trigo em sistemas de produção de grãos no Paraná”. Em seguida haverá o trabalho das subcomissões, que terminam na sexta-feira.

FONTE: Folha de Londrina

zp8497586rq

Domínio nacional na área de sementes de trigo

Diferentemente do que ocorre com os mercados de sementes de milho e soja, com forte presença de multinacionais, o desenvolvimento de variedades de trigo no Brasil está nas mãos de empresas brasileiras. As quatro maiores têm capital 100% nacional e juntas respondem por 90% da área plantada com a cultura no país. Com o avanço dos materiais produzidos, elas buscam espaço fora do Brasil. Algumas empresas já atuam com venda de sementes no Mercosul, principalmente na Argentina, e testam variedades nos Estados Unidos.

Duas razões explicam a ausência de grandes corporações globais nesse mercado, explica Ottoni Rosa Filho, sócio-diretor da gaúcha Biotrigo, empresa que divide com a OR Sementes a liderança em genética para trigo no Brasil. A primeira delas é que a área plantada com trigo (em torno de 2,5 milhões de hectares) ainda é pequena aos olhos das múltis globais. A estimativa é que, por ano, sejam vendidas no país cerca de 5,8 milhões de sacas de trigo com recolhimento de royalties (e outras 2,5 milhões de sacas piratas). Portanto, trata-se de um segmento que movimenta por ano cerca de R$ 10 milhões em royalties no país, um montante pequeno se considerar grandes culturas, como soja e milho.

A segunda razão é que o mercado de variedades de trigo no Brasil tem suas peculiaridades. As sementes que as multinacionais comercializam nas outras regiões de trigo do mundo não se adaptam bem às condições brasileiras. “Aqui, o solo tem muito alumínio e chove muito, acima do indicado para a cultura”, diz Rosa Filho.

Assim, a pesquisa no país, conseguiu eliminar o efeito do alumínio no solo, mas ainda se esforça para tornar as variedades mais resistentes à incidência de chuva na colheita, ocorrência comum e com efeito negativo para a qualidade. Ainda que a pesquisa tente, é difícil minimizar o impacto de fenômenos climáticos na lavoura do cereal. Em julho passado, por exemplo, geadas arrasaram mais de 30% do trigo paranaense (ver matéria ao lado), cujas variedades usadas foram, em sua maior parte, consideradas de alta qualidade.

O fato é que essas demandas específicas para o Brasil funcionam como uma “barreira”, mantendo o mercado cativo para esse time de brasileiras, formado por Biotrigo e OR Sementes, Coodetec e Embrapa. A maior parte delas entrou no negócio nos anos 70 pela própria vocação da região onde estavam instaladas – Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente o 1º e o 2º maiores produtores de trigo do país.

Ao desenvolverem variedades adaptadas às condições do Brasil, essas empresas conseguiram também, indiretamente, criar características desejáveis aos produtores de outros países do Mercosul, como Argentina. Um exemplo são as variedades de ciclo mais curto, que é a aposta da Coodetec para abocanhar uma fatia do mercado argentino.

A expectativa é que no próximo ano elas sejam lançadas comercialmente aos produtores do país vizinho, após cinco anos de testes. Neste ano, as sementeiras locais estão reproduzindo os materiais na província de Santa Fé, explica o gerente de melhoramento de trigo da Coodetec, Francisco de Assis Franco.

“Os argentinos querem fazer duas safras na mesma área, colocando soja e trigo, o que não é possível com as variedades argentinas de ciclo com 120 a 150 dias”, diz Franco. Entre os materiais da Coodetec, também usados no Brasil, há variedades com ciclos de 110 e 120 dias. Maior em trigo no Mercosul, a Argentina cultiva cerca de 4 milhões de hectares. Franco acredita que as variedades de ciclo mais curto podem abocanhar 30% desse total.

No Paraguai, onde suas variedades de trigo estão desde 1995, a Coodetec detém 35% do mercado. A área plantada lá é pequena, na casa dos 600 mil hectares, mas o governo iniciou projeto ampliá-la. “E o governo nos convidou a participar desse projeto”.

O melhorista diz que a Coodetec se especializou nos últimos anos em desenvolver variedades para panificação. Assim, afirma, atualmente seus materiais – 18 variedades – ocupam de 70% a 80% da área brasileira de trigo melhorador, classe que pode ser usada diretamente para panificação ou na mistura com outras classes. Considerando todas as classes de sementes (melhorador, pão e brando), a participação da empresa no Brasil é de 18% e, no Paraná, seu principal mercado, de 30% a 40%.

Também na Argentina, a OR Sementes realiza testes com variedades desde 2004, quando ainda não havia se separado da Biotrigo. Agora, as duas empresas compartilham materiais, alguns deles já são vendidos para produtores argentinos por meio de parceria com uma sementeira local. “Agora estamos fazendo testes das primeiras variedades exclusivamente da OR Sementes no país vizinho”, diz o engenheiro da área de pesquisa da empresa, Aroldo Gallon Linhares.

Neste ano, sementeiras argentinas também vão reproduzir variedades exclusivas da Biotrigo, explica Ottoni Rosa. Mas o grande salto da companhia será o mercado americano. Há três anos em testes, materiais da empresa estão em fase de registro nos Estados Unidos e um lançamento será feito junto com um parceiro local, afirma o executivo. “As mesmas variedades que usamos no Brasil também são adaptadas às áreas de trigo de verão nos Estados Unidos”, explica Ottoni.

Já a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que foi líder em sementes para trigo, perdeu espaço ao priorizar na pesquisa produtividade e resistências a pragas e doenças. “Nos atrasamos um pouco na busca por trigo de maior qualidade para uso na panificação”, explica o melhorista de trigo da empresa, Eduardo Caierão. Além disso, afirma ele, até os anos 90, a Embrapa concorria com outras empresas públicas nessa área. “Hoje, há mais companhias privadas, agressivas em comercialização e marketing”.

Ele estima que a participação da Embrapa em sementes de trigo está entre 20% e 25%, percentual que há alguns anos já foi de 40% e, provavelmente, em meados da década de 70, já tenha alcançado 70%, diz Caierão. O especialista acredita que uma participação de 40% seja uma meta razoável a ser perseguida. A Embrapa investe por ano R$ 35 milhões no programa de pesquisas em trigo, 1,75% do orçamento anual que tem disponível para todas as culturas (R$ 2 bilhões).

FONTE: Valor Econômico

987zzz321
zp8497586rq

Pesquisas impulsionam a cafeicultura

Com tecnologia, a produção brasileira de café quase triplicou em 16 anos.

O Consórcio Pesquisa Café, ao longo dos 16 anos de existência, vem celebrando convênios de cooperação técnica e financeira com entidades de extensão rural, organizações estaduais de pesquisa agropecuária (Oepas) e universidades localizadas nas regiões produtoras. Durante esse tempo, a produção brasileira de café quase triplicou. Com praticamente a mesma área cultivada, o país, que antes produzia 18,9 milhões de sacas de café por ano, passou a produzir 48,5 milhões.

A pesquisa cafeeira é hoje o pilar central da cafeicultura sustentável no Brasil. Os trabalhos são fundamentais para a diversificação, melhoria da qualidade e aumento da produtividade das lavouras. As tecnologias desenvolvidas repassadas aos produtores por meio da assistência técnica e extensão rural trazem melhorias na renda e na qualidade de vida do homem do campo.

A presença de entidades de extensão rural no Consórcio tem colaborado para que os resultados da pesquisa cheguem ao produtor de forma mais planejada e eficiente. Recente convênio firmado pela Embrapa Café com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão rural de Minas Gerais (Emater-MG) estabelece cooperação técnica para transferência, a pequenos e médios produtores, de tecnologias do Consórcio Pesquisa Café, por meio do Programa de Treinamento em Cafeicultura.

Cento e setenta extensionistas capacitados com recursos do convênio entre Emater-MG e Embrapa transmitirão tecnologias desenvolvidas no âmbito do Consórcio Pesquisa Café para cerca de 2,4 mil produtores, especialmente de pequeno e médio portes, e a suas respectivas associações ou cooperativas em 126 municípios.

Segundo a Emater, Minas Gerais possui o maior parque cafeeiro (1.247,11 mil hectares) do país e responde por 51% da produção brasileira de café. O avanço tecnológico já obtido nos últimos anos na pesquisa cafeeira e sua aplicação permitiu o aumento de aproximadamente 71% na produção com apenas 14,5% na área plantada.

O agronegócio café em Minas, que tem mais de 1 milhão de hectares plantados, gera pelo menos 4 milhões de empregos diretos e indiretos, o que mostra sua importância não só econômica, mas também social para o Brasil.

Devido à diversidade de regiões ocupadas pela cultura do café, o país produz tipos variados do produto, fato que possibilita atender às diferentes demandas mundiais, referentes a paladar e preços. Essa diversidade também permite o desenvolvimento dos mais variados blends, tendo como base o café de terreiro ou natural, o despolpado, o descascado, o de bebida suave, os ácidos, os encorpados, além de cafés aromáticos, especiais e de outras características. (Com informações da Embrapa).

FONTE: Diário do Comércio – MG

zp8497586rq

Embrapa apresenta pesquisa com alimentos mais nutritivos

Nesta terça-feira (25/6), às 15h, no Centro Aberto de Mídia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lança a publicação “Receitas Biofortificadas”. Participam do evento Angela Furtado, chefe da Embrapa Agroindústria de Alimentos, e Marília Nutti, coordenadora do projeto BioFORT.

A publicação traz mais de 30 receitas, todas feitas com alimentos biofortificados. Da batata-doce alaranjada, rica em betacaroteno, por exemplo, é possível fazer torta, doce, salada, bolo, biscoito, pão, pizza, purê e outros pratos. Ela faz parte do projeto BioFORT, responsável pela biofortificação de alimentos no Brasil, que busca o desenvolvimento de cultivares com altos teores de ferro, zinco e vitamina A de produtos de consumo popular: arroz, feijão, feijão-caupi, batata-doce, mandioca, abóbora, trigo e milho. Um dos principais objetivos é incorporar estes alimentos na merenda escolar.

Sobre o centro aberto de mídia – O Centro Aberto de Mídia surgiu da experiência positiva realizada durante as a Olimpíadas Londres, realizada em 2012. O Centro servirá de modelo para a Copa do Mundo de 2014 e para os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

O Centro Aberto de Mídia está disponível para atender a imprensa brasileira e internacional – credenciada ou não pela FIFA –, com serviços de internet banda larga, rede wifi, auditório para coletivas e briefings de imprensa, estúdios de rádio e espaço para geração de imagens. O local funcionará até o dia 2 de julho, diariamente, das 10h às 22h.

O credenciamento para o Centro Aberto de Mídia poderá ser realizado por meio do Portal da Copa (http://www.copa2014.gov.br/pt-br/imprensa) ou no próprio local, mediante o preenchimento de cadastro. Para a retirada da credencial, será exigida apresentação de documento de jornalista ou identificação profissional do órgão de imprensa ao qual esteja vinculado.

FONTE: Agrolink com informações de assessoria

jfdghjhthit45
zp8497586rq

Trigo: incidência de brusone exige cuidados do produtor

As perdas nas lavouras de trigo na região do Brasil Central, em função da brusone, doença causada pelo fungo Pyricularia grisea, estão preocupantes nesta safra, pois atingiu proporções epidêmicas. A estimativa das perdas está na faixa de 20% a 30% das lavouras implantadas no Cerrado dos estados de Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Em algumas lavouras as perdas chegam até a 100%. Até a maturação final dos grãos, os produtores devem tomar alguns cuidados, tais como, monitorar suas lavouras diariamente, utilizar no momento correto os fungicidas indicados para controle da doença e alterar o manejo de irrigação.

As recomendações são feitas pelo pesquisador Julio Cesar Albrecht, da Embrapa Cerrados (Brasília-DF), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária –Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Está havendo dificuldade de controle da doença, pois quando os sintomas aparecem visíveis em forma de espigas infectadas, o fungo já está instalado e o controle comprometido”, afirma Albrecht.

Nesta safra, as maiores perdas são verificadas nas lavouras implantadas no mês de abril. Embora este seja o início do período recomendado para o plantio, as condições climáticas atípicas deste ano provocaram a alta incidência da brusone. A ocorrência de chuvas no período de seca, temperaturas acima de 22ºC, tempo de molhamento da planta acima de 10 horas, dias nublados e alta umidade relativa no ar causaram as condições ideais para a proliferação da doença.

“As chuvas prolongaram-se muito este ano, ocorreram frequentes precipitações nos meses de abril, maio e junho, o que favoreceu o aparecimento da brusone. O produtor deve ficar atento às condições climáticas no período do plantio da lavoura. Quando ainda estiver chovendo muito neste período, o produtor deve retardar o plantio. Na atual safra, as lavouras plantadas mais tarde, no mês de maio, estão com prejuízos menores”, destacou Albrecht.

Monitoramento – O controle da doença deve ser preventivo. Em ano com condiçõ

es climáticas favoráveis à proliferação da brusone, a primeira aplicação do fungicida deve ocorrer logo no início do espigamento e as seguintes a cada 12 dias. De acordo com o pesquisador, os fungicidas mais indicados para evitar o avanço da doença na lavoura são as misturas dos princípios ativos estrobirulina e triazol. Outro produto que tem apresentado bons resultados é o tebuconazole. Na aplicação dos fungicidas é muito importante que o volume de calda aplicado seja de 200 a 250 litros por hectare.

Em anos de alta incidência da doença o manejo da irrigação deve ser alterado. A recomendação é fazer as irrigações apenas durante o período da noite. O intervalo entre as irrigações deve ser maior para diminuir o tempo de molhamento da parte área das plantas.

O sintoma típico da brusone é o branqueamento parcial da espiga, comumente da metade para o ápice. Embora possa afetar outras partes da parte aérea da planta, como as folhas, é mais comum, principalmente no Cerrado, atingir as espigas. Nas folhas, as lesões são elípticas com o centro claro acinzentado e as margens de cor marrom escuro.

O pesquisador explica que o agente causal da brusone sobrevive em restos culturais e é capaz de infectar inúmeras gramíneas nativas

20mg levitra canada
e cultivadas. Portanto, o inóculo é abundante nos locais de ocorrência da doença. A dispersão dos esporos é feita pelo vento, com tempo seco, a longa distância, pois os esporos são leves.

Perdas econômicas – A importância dessa doença decorre das reduções no rendimento e na qualidade de grãos. Quando a infecção é precoce, os grãos, se houver, apresentam-se deformados, pequenos e com baixo peso hectolítrico, e a maioria é eliminado nos processos de colheita e de beneficiamento.

A Embrapa Cerrados possui projetos em andamento que visam identificar e desenvolver variedades de trigo resistentes à brusone. No entanto, a pesquisa é de médio a longo prazo para o lançamento de cultivares com resistência à doença. Além do Brasil, observa-se a ocorrência de brusone em alguns países da América Latina.
Fonte: Cenariomt

zp8497586rq

'Consórcio do Café' valida nova técnica que diminui custos

O Brasil, que já avançou em produtividade na cafeicultura, com média de 25 a 30 sacas por hectare, tem condições de ampliar ainda mais seu potencial por meio do manejo das lavouras e alcançar entre 30 e 35 sacas por hectare. Várias cultivares melhoradas já estão à disposição do produtor e algumas pesquisas prometem maior eficiência à atividade, como a mecanização do café robusta e o plantio do capim braquiária em meio à plantação.
Grande parte dos estudos é feita pelo Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, iniciado há 15 anos. Formado por cerca de 40 instituições, entre elas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Epamig, Iapar, o consórcio traz em seu currículo o maior programa de estudos sobre café no mundo.
A meta é oferecer ao mercado, em quatro a cinco anos, uma variedade tolerante à seca, problema que afeta seriamente a cafeicultura nos últimos anos. A seca é responsável por diminuir o peso do fruto e a produção, pois provoca o abortamento de flores e queda do fruto ainda pequeno da planta, chamado de chumbinho.
Pesquisa como o estresse hídrico controlado, que possibilita a maturação uniforme dos frutos, colaborou para a diminuição da bienalidade da espécie arábica, em que um ano de alta produção é seguido por outro de menor colheita. A tecnologia desenvolvida para o Cerrado, combinada à nutrição equilibrada e irrigação, proporciona maior produtividade e crescimento do cafeeiro.
Outra aposta dos pesquisadores é o plantio de braquiária entre os pés de café, que inibe as plantas invasoras e reduz a aplicação de herbicidas, provocan

do a redução dos custos e menor impacto ambiental. Depois de roçada, a braquiária forma uma camada de nutrientes para a planta, principalmente o fósforo, que fica retido no solo. O nutriente garante energia para a planta, forma novos ramos, e aumenta a produção.
O estudo está prestes a ser validado. “Vamos entrar no processo de transferência de tecnologia”, afirma Gabriel Bartholo, chefe da Embrapa Café, que assumiu o cargo há cerca de três meses. De acordo com ele, técnicos agrícolas serão capacitados para levar essas tecnologias aos cafeicultores de todo o país.
Os testes começaram em 2007 em alguns plantios de Minas Gerais, oeste da Bahia e Goiás. A previsão, de acordo com Antonio Fernando Guerra, gerente de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Café, é que em pouco tempo a técnica esteja sendo empregada na maior parte do sistema produtivo.
Outra pesquisa, mais recente, é o desenvolvimento da mecanização para o café robusta, conhecido como conilon. A espécie, normalmente mais produtiva, tem uma estrutura que dificulta sua mecanização, como a existência de muitas hastes na comparação com o arábica. O foco é a criação de máquinas adequadas para a colheita e a seleção de plantas com potencial de mecanização, que apresentem maturação uniforme, maior facilidade do fruto se desprender da planta, por exemplo.
O estudo está em sua fase inicial. Antonio Fernando Guerra diz que é muito difícil prever quando as tecnologias estarão disponíveis, mas acredita que “de três a cinco anos será possível implementar a colheita mecanizada no café conilon”.

Fonte: Valor Econômico

zp8497586rq

Em vigor, novas regras para o trigo são ignoradas pelo setor

Em vigor desde o dia 1º, as novas regras para a classificação do trigo passam ao largo da safra atual – e ainda devem levar alguns anos para vingar. No Rio Grande do Sul, triticultores admitem que iniciaram o plantio, entre junho e julho, sem se ater às exigências criadas, em 2010, pelo governo federal. Também a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reconhece: “Na prática, neste ano, pouca coisa vai mudar”.
Dono da afirmação, o pesquisador Eduardo Caieirão – um dos principais especialistas em triticultura do País – explica que, para haver melhoria na qualidade do cereal, como quer o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), será preciso que os agricultores escolham novas cultivares, sigam à risca as recomendações de semeadura e colheita e passem a armazenar adequadamente o produto agrícola, separando-o por tipos.
“Não só o produtor, mas as cooperativas e os cerealistas vão ter que segregar bem o trigo”, disse Caieirão. “Vai demorar para que a cadeia produtiva se adapte. Mas, com o passar dos anos, será benéfico”, observou.
O produtor gaúcho José Antônio da Veiga, que cultiva 200 hectares do cereal, interpreta a exigência da seguinte maneira: “Vamos ter que trabalhar com outro tipo de semente e cuidar melhor dos armazéns”. Mas admite: “As normas estão estabelecidas. Agora, quanto ao cumprimento nesta safra, não sei se vai acontecer”.
Veiga é presidente da Associação de Produtores de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul (sem sigla) e relata que os associados utilizaram, na plantação recém-semeada, as mesmas sementes de sempre. “Falta aperfeiçoamento genético”, constatou.
A concorrência com o trigo importado, os insumos mais caros neste ano e a falta de logística para se transportar o cere

al dentro do País, como listou Veiga, são impeditivos para um comportamento proativo dos triticultores em relação às novas regras. “Os primeiros anos de plantio de uma nova variedade costumam ser onerosos”, ele explicou. Além do mais, “ainda não ficou claro o que deve ser mudado”.
IN 38
A Instrução Normativa 38, de 2010, estabelece novas regras de identidade, qualidade e rotulagem para o trigo produzido no Brasil. Entre as mudanças, está a criação de uma nova categoria, a do cereal “doméstico”, que amplia para cinco tipos a gama de classificações, baseadas em níveis de glúten, acidez e outros fatores de composição.
Da categoria “pão”, cujo fator W (nível de glúten) antes devia ser maior do que 180 unidades, passou-se a exigir um índices superiores a 220, de acordo com a Embrapa Trigo. “Os critérios ficaram mais rigorosos”, resumiu Caieirão, da empresa pública.
Os tipos “básico” e “doméstico”, em substituição ao extinto “brando”, devem ter, respectivamente, força de glúten de pelo menos 50 unidades do fator W e perfil de farinha esbranquiçada.
Na agricultura paranaense, as novas regras desestimularam a produção, e devem rebaixar a classificação de 35% da safra, de acordo com análises da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Das 2,2 milhões de toneladas que devem ser produzidos na região, neste ano, 770 mil toneladas correm o risco de uma classificação inferior à da última temporada.
Os proprietários de moinhos dizem que esperam a mudança na qualidade do trigo brasileiro para reduzir o nível de importações, concentradas na Argentina. O vice-presidente do Sindicato da Indústria do Trigo (Sindustrigo), Christian Saigh, contudo, recusou-se a falar com o DCI.

Fonte: DCI

zp8497586rq

Cultivares aumentam produção de trigo

Novas opções, adaptadas para o Cerrado, mostram alto rendimento e boa aceitação nas indústrias.
Os produtores de trigo de Minas terão para o plantio da safra 2011/12 novas opções de cultivares, adaptadas às condições climáticas e de solo do Cerrado. Desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), elas têm como principais características a alta produtividade e a boa aceitação nas indústrias.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Joaquim Soares Sobrinho, o desenvolvimento das novas cultivares teve como objetivo atender à demanda dos produtores de trigo por espécies com melhor desempenho e grande aceitação na indústria, o que garante mercado para o trigo.
“A região do Cerrado brasileiro, incluindo Minas Gerais, tem grande potencial para expandir a produção de trigo. Além das condições climáticas e de solo favoráveis ao desenvolvimento da cultura, a produção brasileira ainda é insuficiente para atender à demanda das indústrias, garantindo mercado para o trigo de alta qualidade. O objetivo de disponibilizar novas cultivares é proporcionar o aumento da qualidade e do rendimento do trigo no Cerrado, além de oferecer à indústria um produto adaptado à demanda”, diz.
O consumo estimado de trigo no Brasil para a safra 2011/12 é de 10,4 milhões de toneladas, e a produção de 5,8 milhões de toneladas. Para tentar reduzir o déficit e a dependência das importações, a alternativa mais viável é estimular a produção interna, por meio de cultivares adaptadas às diferentes regiões produtoras.
Como a região dos Cerrados apresenta grande potencial para a expansão da cultura do trigo, a Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), tem indicado para cultivo na região as cultivares de trigo BR 18 (Terena), BRS 254 e BRS 264.
Segundo Soares, a variedade BR 18 destaca-se pela precocidade e ampla adaptação, principalmente em anos pouco favoráveis à cultura do trigo. O cultivo ideal é no sistema de sequeiro, podendo apresentar potencial produtivo de três toneladas por hectare.
A Terena é recomendada para o plantio nos estados de Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal e Goiás. A cultivar apresenta também resistência moderada à ferrugem da folha, e o trigo gera farinha de boa qualidade industrial.
“Esta cultivar é apropriada para Minas Gerais. Atualmente a área de sequeiro no Estado gira em torno de 500 mil hectares. Além da adaptabilidade ao clima, o trigo gera farinha de alta qualidade para a indústria”, diz Soares.
Melhorador – Outra cultivar indicada para Minas é a BRS 254, identificada como trigo melhorador. A cultivar atende prontamente ao mercado de farinha de trigo. Além de Minas é indicada para Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e Bahia. Em sistema irrigado, tem potencial produtivo de seis toneladas por hectare. Apresenta resistência à debulha natural, moderada suscetibilidade às manchas foliares e ampla adaptação a regiões com altitude superior a 400 metros e temperaturas elevadas.”A alta qualidade industrial permite que este trigo seja misturado ao de menor qualidade, melhorando os resultados na fabricação de produtos”, obsrva.
A BRS 264 tem como principal característica a precocidade, podendo o trigo ser colhido entre cinco e dez dias antes das demais cultivares, o que é essencial para reduzir os custos de produção nos sistemas irrigados. O potencial produtivo é alto, variando de sete a oito toneladas por hectare.  recomendada para os estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.
 

Fonte: Diário do Comércio – MG

Embrapa Café vai estimular o conhecimento no agronegócio

A Embrapa Café vai liderar um projeto de transferência de tecnologia. O programa pretende estimular a geração e repasse de conhecimento com base nas exigências do agronegócio café brasileiro e melhorar a qualificação do cafeicultor. Os pontos estratégicos para a implementação de projeto voltado para produção sustentável da cafeicultura brasileira e para a transferência de tecnologia para o campo foi discutido no início desta semana entre o diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Edilson Alcântara, e o gerente-geral da Embrapa Café, Paulo Cesar Afonso Júnior.

Para Alcântara, a intenção a partir de agora é focar na transferência de tecnologia e na capacitação do produtor, destacando o trabalho que a Embrapa Café vem desenvolvendo na gestão do programa de pesquisa do Consórcio Pesquisa Café. “Queremos coordenar um programa de qualificação e queremos que a Embrapa Café lidere isso. Minha ideia é iniciar esse programa com base na produção sustentável e em um bom programa de transferência, pois isso é necessário para que as tecnologias cheguem aos produtores”, adiantou. A proposta do diretor é que a unidade, com sua experiência em pesquisa, desenvolvimento e inovação, contribua na construção de um documento norteador para a ação, elencando pesquisas e técnicas que possam alinhar capacitação à transferência de tecnologia.

De acordo com Afonso Júnior, o projeto é relevante para o desenvolvimento e a sustentabilidade do agronegócio café no país. “Ficamos felizes com esse diálogo porque temos o mesmo discurso, principalmente quanto à preocupação em programar ações de transferência de conhecimento e tecnologia”, salientou. Ele explicou ainda que o consórcio Pesquisa Café tem toda a competência e articulação para atuar nesse planejamento, assim como, na execução das ações. “Precisamos dar um salto nesse aspecto, construindo metodologias de repasse das tecnologias desenvolvidas nos projetos de pesquisa. Já temos muitas tecnologias prontas para irem a campo, o que temos de fazer agora é sistematizar esse processo”, ressaltou.

Novos encontros deverão acontecer para viabilizar a construção desse programa inovador, que pretende estimular a geração e transferência de conhecimento com base em uma boa prospecção de demandas para o desenvolvimento de tecnologias compatíveis com as necessidades do campo, as particularidades de cada região e com as exigências do agronegócio café brasileiro.

 

Fonte:  Sonoticias

Governo avalia usar trigo como ração animal

Com a quebra na safra de milho, a pressão para o uso do trigo como ração animal ganhou força entre os produtores de aves e suínos do Rio Grande do Sul. E produziu efeitos em Brasília: o governo promete definir nesta semana a realização de leilões com esse objetivo.

De acordo com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Caio Rocha, a publicação da portaria com a autorização para os leilões – que depende da assinatura dos ministros da Agricultura, do Planejamento e da Fazenda – deve sair nos próximos dias. A expectativa de entidades ligadas à produção de aves e suínos é de que 500 mil toneladas de trigo sejam incluídas no mecanismo.

Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado, Rogério Kerber, a utilização do trigo resolve dois problemas: as dificuldades de escoamento do cereal e de garantia da alimentação animal.

“Como o produto está estocado no Estado, o custo seria mais acessível, pois economizaria em logística e em ICMS”, alerta Kerber.

Chefe-geral da Embrapa Trigo em Passo Fundo, Sergio Roberto Dotto concorda que essa é uma forma de escoar o excedente do Estado de cerca de 1,1 milhão de toneladas, já que o custo operacional emperra a venda externa.

“Para moinhos da região sudeste do Brasil, custa mais barato importar trigo da Argentina”, explica Dotto.

Apesar do estoque, o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no RS (Sinditrigo), José Antoniazzi, pondera:

“Há cerca de 345 mil toneladas à venda. Esse é o número que poderia ser incentivado. Caso contrário, ao tentar solucionar um problema, pode-se criar outro”.

 

Fonte:  Suinoculturaindustrial