Chuvas de verão beneficiam safra do café

Enquanto muitas cidades lamentam o excesso de chuvas, nas lavouras de café, as águas têm sido benéficas. Essenciais nesse período para o enchimento dos grãos, a chuva vem contribuindo para perspectiva de recorde de safra do café para este ano, segundo informações da Embrapa.

Com a maioria das plantações preparadas desde meados de 2011, as chuvas iniciadas por volta de dezembro, no Espírito Santo e Minas Gerais, eram bastante esperadas. Ainda assim, os dois estados chegaram a registrar prejuízos pontuais em alguns municípios, mas nada que afete, até o momento, a boa perspectiva da produção estadual.

Instituições de pesquisa de Minas e Espírito Santo, participantes do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, explicam o benefício da chuva para a plantação nesse período.

Lavoura

Segundo o coordenador do núcleo tecnológico do café da Epamig, César Botelho, as chuvas têm sido satisfatórias para a maioria das lavouras de Minas Gerais. “Para plantações mais novas – de dezembro e janeiro – talvez haja algum prejuízo, devido à evasão de nutrientes e diminuição da proteção do solo decorrentes do escoamento das águas pela lavoura, mas nada que comprometa a safra total”, comenta. De acordo com ele, o produtor ainda pode adotar medidas preventivas de conservação do solo, como manejar o mato, levantar terraços emergenciais e bacias de contenção. A previsão é que, com a bienalidade positiva em 2012, o estado alcance uma produção maior do que a anterior.

Na região do sul de Minas Gerais, em Itamogi, houve prejuízos por conta da chuva de granizo que aconteceu nos últimos 30 dias, atingindo cerca de 17% da área em produção no município. A perda estimada foi de 10 mil sacas de café, prejuízo de mais de cinco milhões de reais. A previsão era de que o município colhesse cerca de 170 mil sacas nesta safra. O município tem 90% de sua economia baseada na lavoura cafeeira, formada integralmente por pequenos produtores.

No Espírito Santo, as chuvas trazem benefícios para o café conilon, mantendo as boas previsões de produção para este ano. O pesquisador do Incaper, Antônio Lani, explica que a expectativa para região é que as chuvas durem até fevereiro. “O ideal é que chova até final de fevereiro, uma estiagem agora pode ser ruim para quem não tiver irrigação, gerando grãos mal formados. Aí sim, é prejuízo”, afirma.

Estiagem no sul

Para a cafeicultura, assim como as chuvas, a estiagem na região produtora do Paraná também não chegou a afetar as lavouras de café. Segundo o agrometeorologista do Iapar, Paulo Henrique Caramori, as águas começaram a cair na região cafeeira ainda em outubro e novembro, havendo apenas um pequeno período de seca no mês de dezembro. “A partir dessa semana, a previsão é que chuvas na região se regularizem, por isso não se espera prejuízo na região cafeeira do Paraná”, adianta.

 

Fonte:  Globo Rural