Fabricantes de doces inovam para se aproximar do público e elevar vendas

Após fechar o ano passado com uma queda de 6,7% da produção e de 5,2% do consumo aparente, o setor de balas, confeitos, gomas de mascar e derivados começa a dar sinais de melhora, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). Segundo a entidade, no acumulado deste ano até o mês de outubro, a produção cresceu 1,4% em comparação com o mesmo período do ano passado. Para aproveitar esse momento, marcas tradicionais como Dori e Mondelez, duas das maiores fabricantes de doces do País, resolveram inovar para se aproximar do público e ampliar suas vendas.

A norte-americana Mondelez, por exemplo, voltou a investir na área de marketing e propaganda da marca de goma de mascar Bubbaloo, após passar dois anos sem grandes novidades. “Queremos nos aproximar mais do consumidor, por isso, criamos um novo site para a marca e repaginamos nosso mascote”, diz o gerente de Sugar Gums da Mondelez Brasil, José Octavio Freitas, em entrevista ao DCI.

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Para colocar as mudanças em prática, a marca Bubbaloo destinou 70% da sua verba de marketing de 2013 para esse projeto e já planeja novas ações. “Nosso alvo são os pré-adolescentes de 12 a 14 anos de idade. Esses consumidores buscam novidades, por isso, precisamos inovar sempre. Já temos planos para lançar novos produtos da marca Bubbaloo no próximo ano, mas ainda não podemos comentar”.

Segundo o executivo, as novidades devem chegar ao mercado ainda no primeiro semestre de 2014. Hoje, as gomas de mascar da marca Bubbaloo são produzidas na unidade fabril de Bauru, cidade localizada no interior do Estado de São Paulo.

Já a Dori Alimentos está investindo pesado para ampliar sua presença em todo o País. Uma das ações colocadas em prática consiste em “uma profunda revisão de portfólio”. Atualmente, a marca conta com uma linha de 260 produtos, sendo que 22% deles serão reformulados. Segundo a empresa, estes novos snacks poderão representar 5% do faturamento em vendas. E para viabilizar este projeto, a companhia decidiu apostar no licenciamento de marcas em parceria com a Warner Bros.

“Os personagens vão somar muito aos produtos Dori. A geração de hoje os conhece do cinema e dos games. E, para os adultos, será como uma viagem ao passado. Estamos convictos que essa estratégia renderá muitos frutos, tanto em vendas quanto em valorização da marca”, afirma o gerente sênior de marketing da Dori, Jean Carlos Paiva, em nota.

Fonte: DCI

Dori investe em centro de pesquisa

A concorrência com as multinacionais do segmento de balas e confeitos impulsionou a brasileira Dori a melhorar seu nível de competitividade. A empresa, com sede em Marília (SP), foi buscar recursos junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) p

ara investir em atividades de pesquisa e desenvolvimento. Levantou R$ 13 milhões em uma operação que será intermediada pela Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP).
“Isso mostra que não só as grandes empresas investem para criar um ambiente propício à pesquisa e ao desenvolvimento”, diz Carlos Barion, presidente da Dori, que vai pagar taxa de juro de 4% a 5% ao ano. Com faturamento de R$ 455 milhões no ano passado, e previsão de vendas de R$ 530 milhões este ano, a Dori é a maior fabricante nacional de balas, confeitos e amendoins. Barion assina hoje o protocolo de intenções entre a Dori e a Investe SP.
O projeto mais importante será a instalação de um centro de pesquisa e inovação, que irá demandar investimentos de R$ 7 milhões. O centro deve ser aberto em meados de 2013 na Grande São Paulo, entre os quilômetros 40 e 80 da rodovia Presidente Castelo Branco.
O centro servirá para “desafogar” a fábrica em Marília, a 450 km da capital paulista. Quando um produto precisa ser testado, toda uma linha de produção é interrompida para essa operação, que pode durar um dia. Todos os novos produtos serão testados e fabricados nessa unidade, até atingirem escala industrial.
O plano é abrir o centro ao público, que pode ajudar a testar novidades. “Um dos principais motivos de instalarmos o centro na Grande São Paulo, distante da fábrica, é ficar mais perto das universidades e das cadeias de abastecimento”, diz Barion.
O aporte de R$ 13 milhões engloba mais quatro projetos. Um deles é o de desenvolvimento de novos produtos a partir de quatro principais matérias primas: açúcar, amendoim, xarope de glicose e cacau. Outros

dois projetos estão ligados à produção de amendoim: um é desenvolvido com o Instituto Mauá de Tecnologia e o outro com o Instituto de Agronegócios de Campinas.
Também com o Instituto Mauá está sendo desenvolvido um projeto de fabricação de um contêiner mais leve, fabricado a partir de aparas de plástico da própria Dori, recolhidas por meio de um sistema de logística reversa. “Isso deve gerar uma economia de combustível, porque a carga fica menos pesada, e consequentemente [há] uma redução de gás carbônico na atmosfera”, diz Barion.
Fundada há 45 anos, a Dori é uma empresa familiar. Tem três unidades fabris, duas em Marília e uma em Rolândia (PR). Produz 350 itens e exporta a mais de 60 países. Entre as principais marcas estão Yogurt 100, Bolete e Disqueti.

Fonte: Valor Econômico

Dori investe no nordeste para crescer 13,5%

Tentar reduzir a alta carga tributária, principalmente com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Esse foi o objetivo da Dori Alimentos ao investir pouco mais de R$ 1 milhão em um novo centro de distribuição em Maceió, na capital de Alagoas. Com isso, a fabricante nacional de produtos a base de amendoim, chocolates, balas e snacks espera um incremento em torno de R$ 36 milhões em suas operações no nordeste.

“Os incentivos fiscais foram negociados diretamente com o governo de Alagoas, principalmente a redução no ICMS”, afirma o presidente da companhia, Carlos Barion. Ele acrescenta que outros fatores foram fundamentaram para a decisão, especialmente atender melhor a demanda crescente dos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, bem como a otimização dos estoques, com giro médio de 10 dias.

“Apresentamos nossas condições a três estados da região e escolhemos aquele que melhor atendeu”, afirma Barion. A diferença no custo de transporte dos produtos da fábrica no sudeste para o centro de distribuição em Maceió é compensado pelos incentivos que foram acordados. segundo o executivo.

Na opinião do professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Felipe Leroy, a diferença do ICMS oferecido entre os estados é muito grande. Assim diversos fabricantes preferem instalar novas plantas ou levar as existentes para o nordeste, pagando menos impostos, tornando-se mais competitivos, ao passo que podem formatar seu produto com um preço menor.

“Fora isso, é preciso ficar atento a questão do menor custo com mão-de-obra, doação de terrenos e infraestrutura, e melhorias em estradas da região”, diz Leroy.

Para Barion, a perda de competitividade dentro do próprio Estado de São Paulo, onde ficam duas das plantas da companhia além de um centro de distribuição, faz com que os investimentos migrem, cada vez mais, para outras regiões do Brasil.

Estratégia

Segundo o presidente, o novo centro faz parte do objetivo de crescer 13,5% a mais que o ano passado, quando a fabricante atingiu cerca de R$ 429 milhões de faturamento.

Ainda conforme o executivo, o novo espaço de Maceió (AL), que movimentará 600 toneladas de produtos por mês, integra a política de direcionamento de investimentos em busca do aumento de 36% para 47% da participação da fabricante de alimentos junto ao varejo brasileiro.

A empresa possui três plantas, sendo duas em Marília, uma específica para produção de itens a base de amendoim, e uma onde são fabricados chocolates e jujubas, e outra planta em Rolândia no interior do Paraná, onde são produzidos chicletes, pirulitos e balas. Cabe lembrar, que o Brasil é o terceiro produtor mundial de chocolates, superado pelos EUA e Alemanha, e o maior mercado para chocolates, balas e confeitos do Mercosul, com uma estimativa de consumo de US$ 9 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab).

Exportações

A participação das vendas para o exterior devem sofrer uma redução de 18% para 13%, segundo a fabricante, que espera produzir cerca de 95 mil toneladas.

O executivo observa que tanto a situação da economia dos EUA – principal potência da América do Norte, responsável por mais de 30% do que é vendido para exterior – como a elevação dos preços de commodities como o açúcar tem dificultado a competitividade de seus produtos no mercado internacional.

“Essa elevação do custo de nossos insumos também afeta o mercado interno. Por isso, em junho a empresa teve de repassar este aumento para o preço final”, comenta Barion.

Outra questão importante, segundo o presidente da Dori, é a desvalorização do dólar frente ao real, “que prejudicou em muito o desempenho no exterior”.

Segundo o executivo, a fabricante de alimentos tenta equilibrar essa situação mediante negociações contratuais, que podem ser feitas com até 18 meses de duração, de acordo com um câmbio pré-determinado.

A boa notícia fica por conta do provável término do conflito com o governo da Argentina, que há 15 meses impõe barreiras comerciais para entrada dos produtos brasileiros em seu território. O País é responsável pela maior parte dos 27,49% dos produtos exportados para América do Sul.

“Além disso, temos perdido competitividade nas exportações para o continente africano [21% do total], por conta dos produtos vindos da Índia. Isso sem falar nas falsificações feitas no País asiático”, disse o executivo.

A saída pelo Porto de Suape só fará sentido no dia que a empresa possuir uma planta manufatureira instalada na região, conforme o presidente da Dori.

“Atualmente, utilizamos o Porto de Santos e o de Paranaguá. Já as vendas destinadas a países como Uruguai e a Argentina seguem pelo modal rodoviário”, concluiu Barion.

Fonte:   DCI