Mesmo com prêmio menor, leilão de trigo negocia 96% da oferta

Os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) seguem concentrando a atenção do mercado de trigo, mesmo com subsídios mais baixos. Hoje foi arrematada subvenção equivalente a 364,25 mil toneladas, 96% da oferta total de 380 mil toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu o valor da subvenção em 10% no caso do trigo destinado ao Nordeste e/ou mercado externo e em até 30% para o produto comercializado dentro do País.

Ainda assim, houve disputa e os prêmios fecharam bem abaixo do preço de abertura. Foi o caso do trigo gaúcho a ser transferido para o Nordeste ou outros países, cujo PEP inicial era de R$ 152,50 a tonelada e saiu a R$ 98/t, queda de 36%. No PEP para qualquer Estado, o valor caiu de R$ 37,70/t para R$ 19/t, no caso do trigo paranaense, e de R$ 37,70/t para R$ 23,20/t, caso do trigo gaúcho.

De acordo com fontes do mercado, é possível explicar a disputa entre exportadores, e que acaba reduzindo o prêmio, mas não o interesse de moinhos nacionais em adquirir trigo no leilão aceitando prêmios mais baixos. Um importador lembra que a interrupção das operações pela Conab em dezembro atrapalhou a programação das tradings que, com a retomada dos leilões nesta segunda quinzena de janeiro, “correm” para cobrir posições vendidas.

Não é o caso da indústria moageira, diz a fonte, alegando que no mercado é possível adquirir trigo por menos que o preço mínimo (nos leilões o valor mínimo é condição para arrematar o subsídio) e “seguir na disputa mesmo com o prêmio em queda não parece lógico.” Com PEP e Pepro o governo busca reduzir o custo do frete ao comprador, ao mesmo tempo em que assegura ao vendedor um preço mínimo pelo produto.

Pelo trigo pão negociado no leilão, produtor deve receber R$ 477/t. O comprador que participou hoje do leilão recebeu R$ 19/t, o que significa que desembolsará de fato R$ 458/t. Mas no Paraná nesta semana houve oportunidades de compra, segundo um corretor, a R$ 420/t. Trigo melhorador vale um pouco mais, R$ 460/t. No primeiro leilão, realizado na semana passada, cooperativas foram os grandes negociadores. Os adquirentes de hoje só serão conhecidos nos próximos dias.

Argentina

Moinhos e tradings se movimentam no mercado interno ao mesmo tempo em que negociam trigo na Argentina. Segundo Walter Von Mü;hlen, da Serra Morena, o mercado ainda espera que um volume maior de licenças de exportação seja disponibilizado – no início de janeiro o governo argentino anunciou a liberação de um volume de 3 milhões de toneladas, mas isso ainda não aconteceu de fato. Apesar de prometer menos burocracia nas vendas externas de trigo, o governo ainda deve controlar a emissão dos documentos, liberando-os em etapas, acredita Mühlen.

A perspectiva de alta das cotações da commodity no mercado internacional está por trás dessa estratégia. Com a Rússia reduzindo o ritmo de suas exportações, o mercado deixa de ser “inundado” de trigo do Leste Europeu e os preços ficam menos pressionados. Além disso, o anúncio do Federal Reserve, de manutenção de juros baixos nos Estados Unidos até 2014, sugere aos participantes que os investidores voltarão ao mercado de commodities e os preços do produto tornarão a subir.

“Hoje temos o preço do trigo argentino equiparável ao do soft americano e a tendência é de que se aproxime mais do hard (tipo pão)”, diz o analista. Nesta sexta-feira, trigo hard americano para embarque em fevereiro está cotado a US$ 304/t FOB Golfo, contra US$ 270/t do soft. Produto da Rússia e da França têm preços equivalentes, de US$ 267/t.

Já o argentino vale US$ 255/t na região de UpRiver, e até US$ 265/t (alta proteína) em Bahia Blanca. “Deveremos ter um mercado firme para trigo pelo menos até conhecer a safra do Hemisfério Norte”, diz Mühlen. A safra americana chega ao mercado em julho.

 

Fonte:  Tosabendo

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